sábado, 25 de dezembro de 2010

Retrospectiva 4: Estilo Literario do Ano

Bom, sem perceber, acabei por ler mais livros infanto-juvenis do que esperava. E eis que não poderia deixar de relembrar estas leituras suaves e agradáveis.
Não vou falar dos juvenis de Meg Cabot para não ser repetitiva, mas eles entraram na conta. No total foram 34, por isso não vou falar de todos.
Além da série das calças viajantes (4 livros), da série Magia em Manhattan (2 livros) e dos livros da Meg Cabot (7 livros)  que eu já falei, outras séries que eu li foi "O Único e Eterno Rei" que conta mais uma historia do Rei Arthur em 5 volumes, e alguns livros da Thalita Rebouças (6 livros), que eu não conhecia.
Como disse são leituras leves e agradáveis, mas o que faz um adulto se interessar por livros infantis? Tem alguma coisa errada?
Eu procurei livros infantis, primeiro para conhecer o que existe, já que tenho vários leitores infantis e juvenis para influenciar.Segundo, por que achei que tive poucas oportunidades na infância de leituras. E terceiro, porque eu gosto de livros mais leves.
Reler Pollyanna foi uma experiência inusitada. Principalmente quem tem filhos, é bom ler antes de liberar a leitura para os pequenos, ou ler junto com eles para estimular. Mas a minha surpresa foi formar uma nova visão depois de 15 anos. Sério, parece que li outro livro, embora conhecesse a historia. A mesma coisa eu senti quando fui contar um livro de conto de fadas para crianças. Eu não tinha medo das historias antes de dormir, mas eu estava lendo para uma criança que repetidamente acordava e me acordava com medo do lobo mau. Então escolhi a historia que parecia ser a mais inocente e ainda tive que ir mudando para amenizar. Não é tarefa fácil. Embora não exista obrigatoriedade de classificação para leituras, e as crianças de hoje não são como nos éramos na nossa época. E cada criança é diferente, e geralmente só os pais podem tentar dizer se aquele livro é ou não recomendado para cada criança. Naquela situação que eu estava, podia contar a historia diferente para cada uma das gêmeas, pois uma se assustava e a outra não.
Não tenho filhos ainda, mas essa experiência de ler livros infantis me fez ver a importância de acompanhar a leitura deles. As adaptações da Maria Clara Machado para os contos de fadas são um exemplo disso.
O gênero tem crescido muito com o sucesso de Harry Potter, que a principio seria para crianças. Mesmo no Brasil, têm surgido literatura fantástica principalmente para esse publico. Não sei que tipo de obras serão referencias, mas acompanhar o que esta surgindo, inclusive literatura infanto-juvenil é um habito saudável para os que gostam de leitura. E outro porém, é que são livros pequenos e de leitura fácil, o que não leva muito tempo. Provavelmente por isso que li tantos livros neste ano de 2010.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Retrospectiva 3: Autor do Ano

Eu disse que não ia escolher os melhores do ano, então deixa eu explicar que o autor do ano é aquele que eu li mais obras em 2010 que ééééé?!?!
Meg Cabot.
Achei que conseguiria ler todos os livros que tenho dela, mas ainda ficaram alguns para trás. No total foram 11. Não é muito se pensar que ano passado eu li "Deltora Quest" e "Gossip Girl & it Girl", cada série com mais de dez livros. Mas essa foi a minha conquista em 2010. Outros autores se repetiram mas não tantas vezes. Teve a série o "Único e Eterno Rei" (cinco livros), teve a "Irmandade das Calças Viajantes" (quatro livros), teve Thalita Rebouças (quatro), Sir. A.C. Doyle (três), "O Ciclo da Herança" (três, enormes) e outros tantos com duas ou três ocorrências.
Não tenho como falar de M. Cabot sem ser repetitiva, mas como não fiz resenha de nenhum livro dela, vou falar um pouquinho de cada um que li.
Estava muito curiosa com "Princesa para Sempre" porque foi anunciado como o último livro da série, já que neste a Mia se forma. Mas ela vai pra faculdade né, será que a Meg não resolve continuar contando a vida da Mia, pelo menos não mais em forma de Diário?! Não sei. Eu tinha perdido a paciência com a Mia uns dois livros antes e acho que li por insistência, só. E valeu ter sido teimosa. Depois falo mais dessa série e os primeiros livros que li de Meg Cabot.
Como eu estava numa fase "Rei Arthur", logo depois de o "Único e Eterno Rei" eu li "Avalon High". E não se engane, não é coincidência. Avalon tem a ver com as Brumas de Avalon. Essa história foi anunciada que viraria filme, não tenho certeza, mas ela virou HQ, "Avalon High - A Coroação" que conta um pouco resumindamente a história de "Avalon High" e depois continua mais um pouquinho. Mas bem pouquinho. Também merece comentário a parte.
Por ser curtinho, em seguida li "Ídolo Teen". Confesso que achei de certa forma repetitivo. Passei a encarar meio que um padrão Meg Cabot. Mas a personagem principal tem algo que é muito ímpar, não consegue dizer não.
Acho que de todos que li esse ano, o melhor foi a série Garoto. Como eu quis um John Trent na minha vida. A Mel de "O Garoto da Casa ao Lado" parece de mentira. Imagina quem manda um e-mail para o chefe avisando que vai faltar (de novo) porque a vizinha, uma senhora idosa, foi assaltada e não tem com quem ficar no hospital. Ok, ajudar o vizinho, mas a localizar alguém e não parar sua vida por isso e perder o emprego. Talvez eu é que seja meio egoísta. Em "Garoto Encontra Garota" temos alguns personagens do livro anterior, mas agora aparece um novo casal. Dessa vez temos dois irmãos do escritório de advogados da empresa contra uma funcionária do RH que aplicou a demissão à moça que vende doces, mas a funcionária não queria demitir e embora eu ache todos os advogados chatos, Mitch é muito interessante. Já em "Todo Garoto Tem", temos um casamento escondido na Itália, apenas o casal e os padrinhos que não se conhecem, mas um é a favor do casamento (a madrinha) e o outro é contra (o padrinho). Cal não é tão interessante. Continuo preferindo meu querido John Trent. Essa série eu terminei e não sei se terá mais. Acredito que a autora também está satisfeita.
Logo depois voltei para "A Garota Americana" e "Quase Pronta - A Garota Americana 2" que é outra série adolescente como "O Diário da Princesa". O que salva a história é que a Sam é menos boba que a Mia, mas ela também se apaixona pelo cara errado, mas tem uma presença de espírito (ela salva o presidente) e ainda amadurece mais rápido.
Por fim, ainda li "Como ser Popular". Também é na linha adolescente. A Steph é uma fofa, mas também tinha um pouco do padrão Meg Cabot.
Eu estou com vontade de fazer uma crítica monstro em chick-lits e afins. Por que assim como os livros da Meg Cabot são bons, também possuem meio que um padrão. E, na boa, eu gosto de ler porque são leves e distraem tal. Mas as mocinhas não são exemplos de vida. Elas sempre são salvas no final com a ajuda do príncipe. Como nos contos de fadas. Então são sempre releituras da mesma história e que eu conheço o final. Isso dá tese de mestrado: A evolução das personagens femininas na Literatura de Mulherzinha.
Eu não queria fazer uma crítica, mas o fato que ler muitos livros do mesmo autor dá nisso mesmo. E eu não tive como não comparar com Marian Keyes, Sophie Kinsella, Helen Fielding e Gemma Towley que eu também adoro.
Bom, recomendo explorar vários livros do mesmo autor, mas acredito que ler de uma vez, em sequência, possa ser ruim. Continuo recomendando Meg Cabot e adoro os livros dela. Alguns mais que outros. Mas todos são bons. Não é a toa que li tantas vezes...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2 - Revelação do Ano

Faz pouco tempo que escrevi sobre "Travessuras da Menina Má", mas faz mais tempo que eu o li. Adorei. Quando escrevi sobre ele, falei que foi uma grata surpresa, ainda mais por ter percebido que nunca havia lido um livro traduzido do original em espanhol. Eu não conhecia nada de literatura estrangeira não-inglesa ou americana...
Na tentativa de ampliar os meus horizontes literários, tenho acrescentado aos poucos livros de autores de outras nacionalidades. Nem Saramago nunca li... Um autor que eu gosto muito e que já li quase todas as obras que foram publicadas em português é Allan Massie, mas por ser cingapuriano, suas obras são originalmente em inglês. E, detalhe, seus livros são históricos, não se passam em Cingapura!
A grande revelação de 2010 foi um autor de língua espanhola: Carlos Ruiz Záfon. O livro que eu li foi "O Jogo do Anjo", embora o livros mais famoso dele seja "A Sombra do Vento".
Uma vez ouvi alguém dizer algo do tipo: "Isso só agrada quem lê de tudo. Você lê qualquer coisa". Eu não quero fazer campanha contra o preconceito nem nada. E também nem acho que seja bom ler de tudo ou se dizer culto por isso. Pouco me importa. Mas já que eu me coloco a falar de livros e eu leio de tudo por que sou muito curiosa, eu escrevo sobre tudo. Não estabeleci um perfil pro blog, nem tenho o interesse de falar de tudo. E o meu gosto nunca é referência. Canso de ver pessoas falando mal de livros que eu adoro.
Eu não sei explicar. Como li muita coisa, e coisas diferentes, por que esse livro foi marcante?
Provavelmente não foi marcante por que é de autor espanhol, mas eu o procurei por ser espanhol. O livro é ótimo. Conta a história de um escritor. Descobri que livros, bibliotecas e livrarias sempre são o assunto dos livro de Záfon.
O outro motivo que eu gostei foi pela descrição dos lugares, que eu sempre amo. E através dos livros eu fui a Barcelona, Paris, Marselha, até ao Afeganistão e ainda tantos outros lugares. Fiquei com bastante vontade de visitar a Espanha depois de "O Jogo do Anjo".
Obviamente, esse foi o autor revelação do ano por que me fez ter vontade de ler os demais livros. E isso não é ótimo?! Como se a minha lista de livros não fosse pequena. Experimentar é uma coisa. O livro te prender e fazer você querer continuar lendo é outra. Mas te cativar a ponto de você querer conhecer tudo  mais que este autor escreveu; é marcante.
É claro que eu apenas estou começando a conhecer e experimentar autores estrangeiros. Mas o estilo de escrita em "O Jogo do Anjo" é muito bom. Embora o livro seja grosso, você vai lendo aos poucos e sem perceber, já está acabando.
A história tem uma mistura de romance e mistério, e um final surpreendente. Muito característicos da obra deste autor.
Bom apenas retomando de cabeça, eu li "A Cidade do Sol", "Como me Tornei Estúpido", "A Divina Comédia", "O Segredo do Anel", "Eu, Christiane F...", "O Conde de Monte Cristo" e tantos outros que me fizeram viajar para outros lugares. Foram muitos, mas "O Jogo do Anjo" me ganhou. Fico devendo a resenha.
Estou fazendo de índice a minha Lista de Leitura. Assim que colocar, estará disponível o link lá.
Bom, espero não me decepcionar com "A Sombra do Vento". Mas fiquem de olho nos livros desse autor!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Retrospectiva 1: Livro mais demorado

Alguns livros demoramos muito para ler. Começamos, paramos, largamos, pegamos de novo, volta do começo que já não lembro o que eu li... E meses se passam até que conclua o livro. Não necessariamente isso acontece por que o livro não é bom. Às vezes é por que tem outros mais especiais que você resolve passar a frente, ou por causa de provas, viagens, qualquer outra coisa que chame mais atenção. Tem 3 livros que eu estou lendo e parando há mais de 2 anos: "Manual de Automóveis", "Crepúsculo do Mundo" e "Casa Grande & Senzala".
"Manual de Automóveis" é um livro técnico que eu gosto de ler antes de dormir. Como tenho tido muito pouco tempo para ler nestes últimos meses, devolvi ele para a estante e deixei outro livro na cabeceira, bem mais leve, daí a leitura corre mais fácil. Pelo menos quando voltar a ler ele, não preciso voltar do começo, só volto o capítulo. Será uma das metas para 2011: Terminar os livros já iniciados.
"Crepúsculo do Mundo" é a última obra de Allan Massie que foi publicada no Brasil e que eu não tenho. Para minha infelicidade, como foi um dos primeiros livros lançados, já está esgotado na editora e eles não pretendem fazer uma nova edição. Para vocês terem uma ideia, a Ediouro tirou o Fale Conosco do site deles e avisou que para procurar em sebos as edições esgotadas. Mas livro usado eu acho mais difícil comprar pela internet. Gostaria de poder ver ele antes de comprar e poucos colocam fotos. Já aconteceu de o livro vir riscado de caneta na capa e com as páginas levemente amareladas por que não estava embrulhado. E isso por que o livro era novo, mas de saldão. Então comecei a ler no Google Books e eles interromperam na página 70. E eu não tenho pressa de voltar a ler por que não resolvi se arrisco comprar usado ou espero a má vontade da editora mudar. Sempre que posso visitar um sebo eu pergunto do livro, mas ainda não achei. É uma pena. Também terei que resolver isso no ano que vem para atingir a minha meta.
"Casa Grande & Senzala" também é um livro técnico, de História, que eu não me lembro por que eu resolvi ler. Acho que foi recomendação, mas não me lembro de quem. Só que a versão que eu consegui estava toda corrompida. Perdi meses revisando e tentando formatar o arquivo mas ficaram 3 trechos incompletos. Fora que eu tive que ignorar todas as notas de rodapé. Foi um trabalho monstruoso que não satisfez a minha vontade. Então larguei. Resolvi que era melhor tentar comprar. Embora seja um livro antigo, ainda é muito caro, custa entre 85 e 120 reais em livrarias. Em sebos achei por 60 reais, mas também acho caro para um livro usado. Aí perguntei num outro sebo e me falaram que teve uma escola que exigiu a leitura desse livro, por isso que estava esgotado, mas que o preço normal seria 30 reais. Ufa, esse é um preço pagável. mas não estava disponível. Fiquei de voltar mais vezes até encontrar. Mas uma super promoção do Submarino também tornou esta aquisição viável e eu devo ler em 2011. Pelo menos para cumprir a meta. Os outros livros do autor que meio que são continuação ainda não estão na minha lista de leitura. Vai depender muito da leitura deste livro pra eu resolver.
Bom, eu diria que esses são livros intermináveis. Demorados foram livros como "O Alcorão" que eu demorei 8 meses para ler ou "A Bíblia Sagrada" que eu demorei mais de um ano.
Em 2010, o livro mais demorado foi "O Conde de Monte Cristo". Esse livro tem por volta de 1200 páginas, eu sabia que ia demorar, mas se tornou mais demorado não pelo período em meses que eu demorei para ler, por que talvez outro tenha demorado mais (não sou muito precisa nestas contas), mas por que levei para ler durante duas viagens de mais de uma mês de período total e eu o lia todo dia quando voltava do curso até a hora de dormir, o que dava umas 3 horas por dia no mínimo e depois ainda gastei 4 dias inteiros das minhas férias para conseguir terminar de ler. Imagina saber que faltam 900 páginas e em 3 horas ter lido quase 20 páginas?! Cheguei a perder a paciência algumas vezes, mas o que mais irritava era que eu gostava da história mas não fluía. Tinham várias tramas paralelas que depois se juntaram. Praticamente todas eram interessantes, embora alguns trechos de diálogos não façam a menor falta. Enfim, não descobri o que deixou a minha leitura tão lenta. Costumo ler muito mais que isso. Chego a ler 100 páginas em 2 horas. Os livros de "Deltora Quest" quando li era 1 por dia quando eu voltava do trabalho, e sem sofrimento.
Outro que demorou bastante foi "Divina Comédia". Também é grande, tem 800 páginas, mas este é em verso. Mesmo tendo lido a melhor tradução para português, continuo tendo enorme dificuldade na leitura de versos. Teria entendido muito mais lendo em prosa, mesmo que cheio de recursos de linguagem.  A vantagem deste livo que o fez perder o título de mais demorado é que não foi muito sofrido por que com letras maiores e em versos, acabou sendo mais curto. Eu conseguia ler até 100 páginas por dia em alguns dias.
Para 2011, já sei que "Casa Grande & Senzala" e "Manual de Automóveis" estão concorrendo para serem os mais demorados.  Outros que têm chance são "Ilíada" e "O Capital".

sábado, 4 de dezembro de 2010

O mundo assombrado pelos demônios

Bom, antes de tudo, esta é a primeira participação da Lesma. Suas participações serão beeem esporádicas. Mas não menos bem feitas.


Minha leitura é sem dúvida mais lenta que a da minha incentivadora Tartaruga, de modo que posso contar nos dedos a quantidade de livros lidos no ano. Ainda assim posso contribuir com o que eu li e agradeço pelo espaço oferecido nesse blog para expressar as minhas opiniões. 
O livro foi um presente de aniversário de um dos meus inúmeros primos; a família é grande e bem unida. Na dedicatória esse primo disse que esse livro seria e realmente acabou sendo um dos meus favoritos.
Não tenho como disfarçar que à primeira vista o título me causou uma certa desconfiança em relação ao assunto a ser abordado pelo autor. O mais divertido foi que durante a leitura, quando me perguntavam o que estava lendo, diversas pessoas tiveram uma reação de espanto com o nome do livro. Assim eu era sempre retrucado com: "– O que é isso?! Tem algo a ver com alguma seita ou crença?"; "– Porque você esta lendo isso?"; "– Nossa! Esse livro me parece estranho!"
Em seguida vinha a minha explicação apoiada na sinopse da capa do livro para não ser condenado pela ‘inquisição’.
Além disso, ao abrir o livro, me deparei com o seguinte subtítulo: "A ciência vista como uma vela no escuro, que desmistifica e de certa forma direciona as expectativas a respeito do que vai ser tratado."
Questões ligadas a ‘assombrado’ e ‘demônios’ são abordadas; mas de uma forma científica, com estruturação dos fatos e questionamento das provas. Uma grande parte das polêmicas foram levantadas dentro da sociedade norte-americana, que ao meu ver é muito mais paranoica a respeito de invasões extra-terrestres e conspirações militares e políticas. Aos poucos o autor vai mostrando a fragilidade de argumentação de diversas seitas e a má influência da mídia e do consumismo que muitas vezes espalham informações errôneas e ideais de vida fúteis. Fica evidente que geralmente é dificil estabelecer uma discussão com pessoas que defendem tais assuntos, pois muitas vezes elas não estão dispostas a enxergar algo novo e têm a ciência como o vilão e algo entediante.
Há também comentários a respeito da evolução da humanidade e das diversas atrocidades que foram feitas como a caça as bruxas, a inquisição e a escravidão. Realmente foi vergonhoso os males que fomos capazes de fazer aos nossos semelhantes que eram consentidos tanto religiosa quanto socialmente. Nesse ponto deveriam entrar os questionamentos para tentarmos compreender o fato sem que sejamos tomados pelas nossas emoções ou interesses políticos e econômicos. Muita coisa já evoluiu: igreja e estado não estão mais vinculados, e teoricamente não temos mais escravidão e todos temos direito a educação.
Enfim, aos que estiverem dispostos a refletir sobre o conhecimento, espero que gostem da leitura.

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Titulo original: The demon-haunted world

Carl Sagan: professor de astronomia e ciências espaciais da Universidade de Cornell que dedica a sua vida ao desenvolvimento e divulgação da ciência.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Homem Invisível

Ultimamente, a minha vida pessoal e profissional está bastante atribulada. E eu tenho tido muito trabalho. Então, por mais que tentasse, foi muito difícil ler nos últimos meses. Especialmente em novembro. É claro que não faltou assunto para o blog porque a mina lista de leitura é grande. Mas este foi um mês atípico.
Um dos livros que ficou travado foi "O Homem Invisível". Esse livro eu nunca tive vontade de ler, mas a única edição de "A Máquina do Tempo" que eu achei vinha com "O Homem Invisível" junto. Esse deve ser o primeiro motivo. O segundo provavelmente é por que era em inglês, que normalmente é mais demorado para mim. Também juntou com outra leitura mais complexa que também travou. E ainda os tantos outros problemas de minha vida... Era quase um martírio.
Como em "A Máquina do Tempo, o autor não gosta de explicar muita coisa. O começo é mais agitado, mas também nos deixa mais perdidos. Então começam os diálogos, mas os personagens não falam direito. As palavras são todas comidas. Tudo bem, é linguagem falada ou até mesmo dialeto, mas olha este trecho:
"And that he turned and hurried down to her. "Janny", he said, over the rail of the cellar steps, "'tas the truth what Henfrey sez. 'E's not in uz room, 'e ent. And the front door's unbolted.""
Então do meio para o final, o Homem invisível começa a contar a sua história. E ele está amargo e com raiva.
O que eu gosto nas obras de H.G Wells é que ele escreve ficção científica mas não é clichê. Tudo bem, talvez eu tenha lido poucos livros de ficção científica. Mas foi algo que eu gostei. Nesta obra, os personagens têm nomes (embora eu tenha me perdido com eles várias vezes). E outra coisa que eu gostei foi que demorei para descobrir se o homem invisível era "do bem" ou "do mal". O tempo todo ele era julgado por só verem a parte boa ou só a parte ruim da situação (ser invisível).
Resumindo, aparece na cidade um homem misterioso e todo enfaixado, depois a população da cidade fica tentando descobrir qual é o mistério e descobre que ele é invisível. Então começam a perseguir ele como um criminoso, mas que crime cometeu?!
E ele vai fugindo e procurando ajuda. E eu ficava tentando entender se ele queria voltar a ser visível ou só escapar de ser perseguido.
Estou quase declarando greve de leitura até que eu me sinta melhor. Analisando com calma, muito provavelmente vou precisar ler ele de novo. Não sinto que eu tenha concluído. Para quem gosta de Sci-fi, eu recomendo não só esse como todos os livros de H.G. Wells. E uma dica que sempre funciona: filmes que são baseados em livros, ou o livro é muito bom, ou vendeu bem. Se você gostou do filme então, a chance de gostar do livro é ainda maior. Eu sempre prefiro testar, e poucas vezes me decepciono.

sábado, 20 de novembro de 2010

A Princesinha de Hollywood

Eu não esperava entrar neste assunto, mas verá que o foco principal continua sendo livros.
Uma coisa muito característica dos livros adolescentes da Meg Cabot são os diários. E mais especificamente as listas. A Mia de "O Diário da Princesa" quase que semanalmente faz uma lista do tipo "os dez mais" com as amigas e depois coloca em seu diário.
Em "A Garota Americana" também. Samantha vive fazendo listas, Mas quase todas as listas envolvem sua irmã Lucy, seu namorado David, o namorado da irmã ou a Gwen Stefani.
Sempre achei muito imbecil isso de listas e rankings. Não me lembro de alguma vez ter feito uma. E muitas vezes, nesses livros da Meg eu pulava essas listas por que não acrescentam nada para a narrativa da história. Só mostra quais são os pensamentos mais ativos e totalmente inúteis da cabeça dessas meninas.
Mas um dia eu fui pega de jeito pelas listas.
A atriz preferida de 8 entre 10 garotas é Audrey Hepburn em "Bonequinha de Luxo". Mesmo sabendo que a personagem é uma prostituta. Está lá, nos livros, nas listas, nos filmes preferidos de sábado à tarde.
Sabe quem encena o drama que é a vida de Blair, de "Gossip Girl"? A mesma Audrey. É considerado o personagem mais glamuroso. Mais pra frente tem um livro da série em que Blair e Serena disputam para fazer a encenação de "Breakfast at Fred's", uma releitura atualizada de "Breakfast at Tiffany's" ( o título original de "Bonequinha de Luxo") na cafeteria da Barney's, Fred's.
É claro que a Serena vence, mas são capítulos referenciando passagens do filme, descrevendo a caracterização da personagem e a Blair mostrando como seria o comportamento da verdadeira Audrey. E ela volta a fazer isso tantas outras vezes...
Como eu nunca tinha visto os filmes dela, literalmente paguei pra ver. Comprei o box com os DVDs. O primeiro, é em Preto e Branco, para ter idéia.
As histórias, não sei, não dizem muita coisa. A atriz talvez nem seja tão boa já que parece que são um mesmo personagem. O fascínio, é pela pessoa que ela é.
Estou assistindo na TV ao documentário "A Vida de Audrey Hepburn", produzido e estrelado pela Jennifer Love Hewitt. Bom, eu não gosto dela e não aguento assistir aquela série dos fantasmas. Mas no documentário dá pra ver o quanto interpretar a Audrey é como interpretar a Holly, ou talvez seja sempre a mesma pessoa/personagem. A mãe dela é um personagem muito importante na vida de Audrey. E eu a adorei.
Se não fosse a Jennifer Love Hewitt, eu diria que o documentário é perfeito.
Os filmes que eu tenho, não assisti todos, falta "Guerra e Paz", são muito bons para entender essa fixação das adolescentes pela Audrey em "Bonequinha de Luxo". Acho que esse foi o primeiro filme que eu assisti porque estava citado em um livro.
Os filmes de Audrey sempre vão ser clássicos. Só que eu ainda não fechei a corrente. Falta ler o livro que deu origem ao roteiro de "Breakfast at Tiffany's".
Acho que não tem como dissociar as duas pessoas. Audrey sempre será Holly. E antes que me perguntem, o autor criou a personagem e disse que ela é uma prostituta, mas na verdade ela só é uma garota à procura de um bom partido para casar. Hoje, isso não seria sinônimo de prostituta. Só de interesseira. Eu tinha pensado isso quando vi o filme e a própria Audrey diz ao diretor no documentário, embora ele diga que ela é uma prostituta, para ela é apenas uma mulher querendo uma vida melhor.
Ah, uma coisa que eu achei muito legal no filme é que um dos bons partidos é brasileiro. Não tem cara mas tem nome de brasileiro.
"A Princesa e o Plebeu" e "Sabrina" não têm nada de excepcional, mas são bons. Vale passar o tempo assistindo.
"Guerra e Paz", como eu disse está na fila, ainda não vi.
"My Fair Lady" eu não tenho.
Já "Cinderela em Paris" não dá. É um estilo de comédia diferente. Tem que ter mente aberta para ver.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Campeonato 2010 de Fórmula 1

Eu disse que não ia ficar falando, mas eu não resisto. Eu gosto bastante e, embora não tenha ido assistir o GP Brasil esse ano, não perdi pela televisão a prova do Brasil e a última prova nos Emirados Árabes. Eu disse que não sabia para quem torcer. Confesso que não tinha favoritismo algum por Alonso. Também não esperava grande coisa do Hamilton. Então restava torcer pela Red Bull, mas nunca pus muita fé neles. Preferia poder torcer pelo Massa ou pelo Button. Eu torceria mesmo pelo Rosberg. Ele tem dado um baile no Schumacher que é o todo poderoso Schumacher.
Depois que o Vettel declarou que a partir do GP do Brasil, ele e o Weber não poderiam mais serem amigos eu quis mais é que o Weber ganhasse, mas seria uma pena para eles. Ambos.
O Galvão Bueno falou muito durante a transmissão que era uma vitória do esporte. Um campeonato decidido na pista, sem jogo de equipe, e o melhor: os 7 pontos que o Alonso ganhou porque o Massa o deixou passar não fez a menor diferença na decisão.
Bom, não tenho nada contra o Vettel ser campeão. Vale dizer que ele errou muito mas também fez corridas maravilhosas tanto ano passado como este ano. Não que o Weber também não merecesse, mas o Vettel foi genial em várias provas. Ele foi muito aplaudido e parece ser muito querido entre os pilotos. Talvez não tenha o respeito que o Weber tenha como representante dos pilotos, mas tanto o Button como o Hamilton aplaudiram-no bastante no pódio. Sinal que reconhecem o seu mérito.
A perspectiva apresentada é de um campeonato ainda mais competitivo e disputado no próximo ano, mas ainda é uma vergonha que uma equipe nova consiga terminar todas as 19 provas sem marcar 1 ponto sequer, mesmo permanecendo na pista até o final. Antes, em provas com muitas quebras e acidentes, era possível aparecer um piloto vindo de trás, com um carro inferior, disputar as primeiras posições e até roubar uns pontinhos. Mesmo hoje valendo pontos para os 10 primeiros ao invés dos 6, 3 equipes terminaram o campeonato com 0 pontos. Nem na época da Minardi ou da Forti-Corse. Gostaria também de um alento para essas equipes poderem crescer e serem competitivas na Fórmula 1, ou continuará sendo uma disputa entre a Ferrari, McLaren e a Red Bull. Willians, Renault, Mercedes, Toro Rosso e Force India não competem neste grupo.
Vamos esperar que nessas férias do campeonato, todas as trocas entre motores das escuderias, e as parcerias e patrocinadores e todas as trocas de pilotos realmente tragam mais competitividade ao campeonato para ano que vem. E que a politicagem faça menos diferença nas escolhas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Apareceu a Tartaruga

Nem todo mundo reage da mesma maneira. Mas eu tinha uma aversão muito grande com pessoas fantasiadas de animais (mesmo que fosse o Mickey) e de personagens que fossem animais com atitudes humanas. Então você pergunta: "E aí, não teve infância?!"
Digamos que eu sobrevivi, e a muito custo me acostumei com a ideia. Enquanto criança, eles me pareciam monstros. Até separar realidade de imaginação foi bem conturbado.
"Então por que você vem falar de tartaruga?"
Bom, como contei no começo, o nome velocidade de tartaruga foi inspirado na fábula do coelho (ou lebre) e da tartaruga que apostam corrida, mas o coelho resolve descansar já que estava muito na frente, cai no sono e a tartaruga o ultrapassa e vence a corrida. A moral não vem acaso. E a grande maioria das fábulas é com animais e poucos humanos. Comparei o diário de leitura com a velocidade da tartaruga por que a evolução é lenta, e não tem como acelerar. Mas eu consigo ir longe se caminhar (ou ler) sempre um pouquinho e não ficar voltando.
Lembro que meus pais sempre me acharam muito devagar e diziam que eu era uma tartaruguinha da patinha quebrada. Ainda bem que essa fase passou, mas a lembrança veio forte quando pensei num título para o blog. Achei que expressava bem o que eu pretendia fazer. Então não tinha como fugir.
Bom, agora estou oficialmente aceitando a alcunha de tartaruga embora pareça bastante inusitado e controverso porque vou receber também a visita de outros colegas de mobilidade reduzida. Estou aguardando que resolva qual alcunha irá usar. A ideia da parceria é dividir percepções sobre leituras, como eu venho fazendo e comentar assuntos em geral mas que envolvam belas histórias já que não necessariamente lemos os mesmos livros e/ou temos a mesma percepção de um determinado assunto.
Provavelmente, em alguns momentos, editarei post para acrescentar um novo ponto de vista destes colaboradores.
Caso tenha interesse em participar também, mande-me um e-mail. E seja bem vindo!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Estudo em Vermelho

Este é descrito como o primeiro caso de Sherlock Holmes com a parceria com o Dr. Watson. Dr. Watson começa contando como foi servir nas forças inglesas no oriente, quase morreu por inanição e falta de cuidados médicos (ironia do destino, não?!) e foi dispensado para se recuperar.
Em seu retorno à Inglaterra, sua renda era pequena e já não tinha para onde nem para quem voltar. Nisto, acabou sabendo de uma pessoa que procurava com quem dividir um imóvel. E ao conhecer essa excêntrica pessoa, Dr. Watson começa a se envolver nas fabulosas aventuras de Sherlock Holmes, o maior perito investigativo com seu inigualável talento em dedução lógica.
Enquanto colegas de apartamento, o Dr. Watson tenta observar e deduzir a atividade de Sherlock Holmes já que este não tem um emprego formal e nem é um estudante embora frequente os laboratórios da universidade. Quando se encontraram no laboratório, Sherlock Holmes estava trabalhando numa mistura para detectar a presença de sangue mesmo que muitas vezes dissolvido em água como quando a pessoa altera a cena do crime tentando limpar uma mancha de sangue.
E Sherlock Holmes dá muito valor à pesquisa desde que esta seja útil para suas atividades de investigador particular. Seus dois principais clientes são dois brilhantes investigadores de polícia que algumas vezes têm dificuldade em esclarecer casos diante da mídia e então pedem ajuda para ter maior celeridade no caso.
Com consentimento de Sherlock Holmes, aproveitando-se de suas habilidade médicas, Dr. Watson o acompanha num caso de suspeita de assassinato.
Um trecho muito particular é após a prisão do criminoso. Ao invés da usual explicação sobre a dedução a partir das evidências, começa a narração de um flashback envolvendo assassino e assassinado.
É uma história muito bonita, e também um crime por vingança. O criminoso já esperava ser pego.
E no final, têm as devidas explicações. Afinal, Dr. Watson nunca sabe o que aconteceu e Sherlock Holmes faz questão de explicar embora seja óbvio. O que seria de nós, reles mortais, diante da sabedoria dedutiva deste investigador particular brilhante. Coitados dos criminosos...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Gossip Girl - O Início

Não tem como falar desse livro sem lembrar: "Você Sabe que Me Ama". Eu achava que essa era uma frase da Serena, mas como a GG diz, eles não seriam quem são e ela não teria por que escrever se eles não fossem os queridinhos de Manhattan. Então a conclusão que cheguei é que essa frase é de todos os personagens e muitíssimo usada pelo trio mais do que especial do triângulo amoroso. A proposta do volume 12, O Início, é explicar como tudo começou. E não é que explica mesmo! Ao mesmo tempo, é uma história completa que não depende de ter lido os outros volumes para entender os rolos e conhecer melhor os personagens, já que eles estão sendo apresentados aos poucos. Entretanto, NÃO deve ser lido antes do volume 01, "As Delícias da Fofoca", senão não tem a menor graça ler os outros livros... Por mais entediante que possa parecer ler os 12 livros, façam isso, sem pular e na ordem.
A leitura é muito leve e flui muito rápido. Tem vários comentários maldoso, bastante intrigas e os personagens nunca se abrem de fato. São pessoas inseridas em um meio polêmico e que agem e reagem a esse meio. São adolescentes cheios de malícias e de vícios e praticamente sem nenhuma supervisão dos pais ou professores. É impressionante a liberdade que possuem para suas escolhas. São riquinhos mimados que querem aparecer, chamar a atenção e criar referências. Não sentem culpa ou remorso. A grande maioria deles só pensa em si mesmo.
Você já se perguntou por que eles fumam tanto? Por que Serena foi para o internato? Por que Vanessa raspa o cabelo? Por que Dan vive à base de Folgers (isso é horrível, gente, acredite!) e cigarros e o pai não liga a mínima? E por que o Nate vive chapado e não se decide entre Blair e Serena? Por que Blair pensa que sua vida é um drama e não supera a separação dos pais?
A série de TV é bastante diferente: a Vanessa tem cabelo (e é lindo!), não se veste só de preto, a Blair não é obcecada pelo Nate, tem até uma relação de amor e ódio pelo Chuck (urgh!) e o Dan, bom, ele é limpinho, não tem o cabelo seboso e pegajoso e até é mais maduro.
Tá, confesso que os da série de TV são meus queridinhos. Mas é diferente. Os personagens foram inspirados nos dos livros mas se tornaram independentes rapidamente. A contagem do tempo também é diferente, Se eu não perdi a conta, os 11 livros contam 2 anos e meio desta turma, o que dá aproximadamente 3 meses por livro.
Eu ainda continuei lendo It Girl. Depois tem a série The Carlyles que eu não sei se vai muito longe e pode ter algo sobre a mãe da Serena com o pai do Dan na adolescência, não sei o que a autora achou da tentativa de série. Mas ainda tenho muita coisa pela frente. Uma pena que os livros sejam tão caros.
O maior impacto negativo nos livros e que na série de TV foi amenizado é a obsessão por fumar. Já foi moda. Ainda é comum entre adolescentes, mas a forma descrita é impressionante. Será que não devia ser proibido para menores a leitura desses livros? Não sei o quanto impressiona.
Bom, achei que neste livro, muitas daquelas perguntas que coloquei foram respondidas. E muito do comportamento desses jovens pareceu ser justificado. Resta torcer para que esta história não acabe por aqui, seja nos livros ou na série. E cada uma com seu devido charme.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Solidão

Falar de leitura não tem como não falar de solidão. Ler é uma das poucas coisas que só pode ser feito sozinho. Cada pessoa tem a sua velocidade de leitura. Não dá para duas pessoas lerem ao mesmo tempo por muito tempo. Ler em voz alta também requer muito talento para acompanhar a leitura. Funciona para textos curtos. E só. Se você inicia uma leitura em grupo, ela não avança se não estiverem todos disponíveis. Não dá para ler e conversar ao mesmo tempo. Não dá para ler com muito barulho sem que se tire a atenção. Ler é solitário.
Por muito tempo usei a leitura para ficar sozinha. Para pensar melhor. Podia estar com o livro aberto concentrada pensando em outra coisa. É sempre a minha companhia em locais de espera. Para disfarçar a minha total falta de habilidade social.
Depois de um tempo passei a me perguntar se eu gostava de ler para ficar sozinha ou se eu lia para disfarçar a solidão. Eu gosto mesmo de ler ou apenas escondo minha incapacidade de me dedicar a mais nada? Essa foi a pergunta que mais me apavorou a vida toda: "O que você gosta de fazer?" E depois de um tempo, a minha resposta padrão foi sempre: "Eu gosto de ler". Mesmo na adolescência, nunca tive fixação por música. A música que eu mais gosto é o silêncio. Isso me faz voltar para a solidão. Eu leio por que sou sozinha ou eu sou sozinha por que gosto de ler?
Eu não sou sozinha. Eu só gosto de ficar sozinha. Ler me ajuda a organizar as ideias. Gente demais me irrita e eu fujo. Mas mantenho contato com a minha família. Sempre tive amigos com quem conversar, mesmo que poucos. Conheço e converso com praticamente todos que trabalham comigo. E não me falta assunto. Mantenho amizades pela internet. Tenho convites para quase todos os fins-de-semana. Então, o que está errado?
Não tem como fugir da solidão. Nenhuma amizade é intensa eternamente. Você terá sua família junto na infância mas terá que se separar. As pessoas mudam os interesses também. Não dá para um momento feliz ser eterno e depois que ele passa, nunca vai se repetir. Ainda não existe viagem no tempo.
Então você pode ter sempre companhia, mas não deve esperar que sejam as mesmas. Talvez você já não lembre o sobrenome de uma melhor amiga de infância. Talvez já não tenha mais o telefone de um grande amigo. E as coisas vão mudando e você está sozinho de novo.
Então a solidão é eterna? Não sei. Mas quando ela vem, eu sempre tenho um bom livro e quando eu tenho um bom livro na mão sempre quero ficar sozinha para ler.
Cada livro traz uma sensação diferente. Um livro ruim ou decepcionante traz mais solidão. Abandone. Tente retomar em outro momento. Procure algo novo. Diferente da leitura anterior. Leia mais de um livro ao mesmo tempo. Não deixe que um livro te faça deixar de fazer outra coisa que gosta. Não troque pessoas por livros. Veja num livro a companhia para uma hora sozinha. Carregue sempre um com você. Nos piores dias prefira reler um livro que gostou do que procurar algo novo. Empreste seus livros. Compartilhe seu conhecimento. Procure algo bom em tudo o que ler. Descanse. Distraia. Pare nos momentos em que achar que deve só para pensar. Anote suas reflexões ou copie o trecho que mais gostou para reler quando quiser. Abra um livro, espere as letras se embaralharem e pense em si mesmo. Se preferir, vire algumas páginas aleatoriamente para não chamar a atenção em púbico. Visite livrarias apenas para ver os livros que existem. Anote aqueles que quer ler. Anote os livros que te indicarem. Anote os livros citados nos livros que mais gostou. Não tenha vergonha de rir ou chorar com um livro. Quem se importa? Leia, mas não seja só.
Saudade...

O Conde de Monte Cristo


O Conde de Monte Cristo foi de longe um dos melhores livros que eu li em 2010. E sem demagogia porque, embora A. Dumas seja um autor respeitável e esta obra seja um clássico, esse livro não está na moda e nem foi recentemente refilmado. Confesso que ao saber que todo mundo já assistiu ao filme: "O Conde de Monte Cristo" me senti na obrigação de assistir também. Afinal, como fazer 1200 páginas render um filme de apenas 2 horas. Não é um trabalho fácil. Comecei a leitura sem nem imaginar do que se tratava a história, de que época e onde se passava.
Os primeiros diálogos entre o Sr. Morell e Edmond Dantés após a chegada do navio Pharaon com o seu capitão falecido não foi uma boa impressão. Como um jovem de 19 anos recebe a honra de se tornar o novo capitão sem sequer saber ler? Sei que em outros tempos o rapaz era considerado homem com menos idade.
Para muitos, Dantés era um sortudo agraciado com as melhores oportunidades na vida. E também um inocente que confia cegamente na parte boa das pessoas sem conseguir perceber as más intenções. E essa inocência junto a essa sorte gera a inveja e malícia suficientes para Dantés ser acusado de conspirador bonapartista e, para seu azar, para se proteger, Villefort acaba por conveniência encerrando Dantés num dos principais presídios da França: o Castelo de If. Cercado por mar, uma ilha pedregosa, inóspita e de portos inseguros. Na prisão, a vida de Dantés muda completamente. E então, após fugir da prisão, mais de 13 anos depois, Dantés tem a chance de realizar sua vingança, planejada e preparada por todo esse tempo de forma precária.
Após a prisão de Dantés, são inseridos outros núcleos com tramas paralelas que passarão a ser importante para a história. Embora a maioria das pessoas já conheça, não quero contar muito mais para não tornar a leitura chata. Ela já é bastante cansativa sem saber o que vai acontecer. O que mais me prendeu a atenção foi não conseguir imaginar para onde estava indo ou o que ia acontecer ou quem é o fulano e por que estão falando disso. Pouca coisa é fácil de concluir. Teve momentos que cheguei a duvidar do que tinha imaginado anteriormente para futuro da história.
Depois de concluir a leitura, parecia-me que seria possível tirar um tanto bom de páginas. Mas em geral, todas as tramas e passagens são muito importantes para o desenrolar da história e deve ter sido bastante trabalhoso usar tantos personagens. Realmente são muitos.
Comparando com o filme, onde foram cortados mais da metade dos personagens, mudou-se também a profissão de alguns, os nomes, idades, inúmeras outras adaptações tiveram que serem feitas. O mais impressionante é o final. Que é diferente. Mas eu gostei da versão do filme. Achei que combinou mais.
A transformação de Dantés de jovem inocente a vingador frio também é impressionante mas não é apaixonante.
Fiquei muito presa a esta leitura. Em alguns momentos chegava a uma relação de amor e ódio. Odiava saber que faltava tanto para acabar e eu precisava parar de ler, mas queria saber o final da história de tão envolvente que era.
Considero um grande desafio encarar essa obra para ler sem cair na tentação de pular páginas e ir para o final, mas para mim valeram muito as horas intermináveis de leitura.
O filme também é maravilhoso, mas os acontecimentos são muito rápidos depois dos primeiros 40 minutos, que a história fica muito corrida. Tive que assistir em 3 etapas (sério, pus o DVD, assisti um pouco, parei, depois voltei onde parou...) e quando terminei a minha vontade foi voltar ao começo e assistir de novo. Aí fiquei triste por que a história não estava mais tão fresca na cabeça. Queria lembrar melhor do que eu tinha lido.
Depois do livro, fiquei com fixação em conhecer a casa na Avenida dos Campos Elísios, número 30 em Paris. Se alguém puder me enviar uma foto...
Só tenho essa do Castelo de If, onde Edmond Dantés ficou preso.
Castelo de If

domingo, 7 de novembro de 2010

Filmes de Crepúsculo

Meu intuito não é avaliar o filme pois entendo ainda menos do que livros. Minha ideia é sempre comparar os sentimentos que livros e filmes estimulam em mim.
Como "Crepúsculo" virou febre mundial, não me sinto apta a fazer uma resenha. Não sou mega-fã. Mas assim como falei anteriormente, quero contar mais um pouco. A maioria das pessoas provavelmente não concorda com a minha opinião, mas eu já me acostumei.
Bom, primeiro de tudo, preciso confessar que eu sou uma vergonha em matéria de filme. Fiquei 3 anos sem ir no cinema, vou muito pouco, não sou de alugar e se está passando um filme que já começou, prefiro não assistir. Só se conseguir assistir do começo. Então, fale-me uma lista dos 10 livros que mais gostou e provavelmente já li metade e já tenho alguns outros na minha lista de leitura. Mas fale-me de 10 filmes e eu provavelmente só conheço 2, não tenha assistido nenhum e o que assiti já não lembro a história e os demais eu não sei do que se trata. É sério. Pior que já comprei alguns e não consigo assistir.
Voltando ao assunto, resolvi ler "Crepúsculo" depois de assitir o trailer "Lua Nova". É, total fora de ordem. Mas "O Senhor dos Anéis" também foi assim e H.P. idem.
No caso de "Crepúsculo" eu só assisti os filmes semana passada. Muito depois de terem sido lançados e muito depois de eu ter lido os livros. Uma das coisas que eu mais gostei, por ter lido "Sol da Meia-noite", foi a maturidade de Edward que a Bella não percebe. Mas no filme, é difícil dizer que eles são adolescentes. E o que é a voz do Jacob; claro que ele não é um garoto de 15 anos.
A história da pele que brilha como diamante não me pareceu muito boa para o filme. Não ficou tão maravilhoso.
Apenas para não ofender os inúmeros fãs, eu não odeio "Crepúsculo" e provavelmente vou assistir "Eclipse" em breve e talvez até "Amanhecer". Só o tal parto da humana e a alimentação da pequena Reneesmê é repugnante já na leitura. Quero ver o que vira para o filme. As cenas de batalhas em "Eclipse" não me pareceram tão terríveis como essas duas de "Amanhecer", por isso essas duas são as que mais vão importar para mim, para salvar a história. O que não me não me impede de assistir "Eclipse".
Até hoje, depois de assistir "Lua Nova", eu acho que a depressão da Bella foi um tiro no pé da autora. Se alguém continuou a ler depois disso foi pelo carisma do Jacob, por que o Edward pareceu um traidor e a Bella uma fraca. Os tempos são outros, as mocinhas já não podem ser indefesas para serem salvas no final. Hoje, mulheres podem ser as agentes da ação que salva a história, já são parte ativa. E a Bella entra numa confusão que a coloca na forma passiva. No filme ainda pareceu que ela controla mais a situação, mas não me convenceu.
A visão geral que eu tive é que esses filmes não entram na lista dos romances que eu vou assistir inúmeras vezes. Também não entra nas melhores adaptações e nem nas piores. Tiveram muitos pontos positivos, mas faltou um algo a mais que me tocasse.
Por um bom tempo ainda vou dormir pensando na propaganda do Burger King com o pôster do Edward ou do Jacob. Essa propaganda foi ótima!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

GP Brasil Fórmula 1 2010

Total deprimida. Esse fim de semana tem GP Brasil de Fórmula 1 e eu não tenho ingressos.

Esse fim de temporada eu já deixei de assistir alguns GPs. Desde agosto que eu viajei não consegui assistir.
Ir em Interlagos para assistir F1 era um grande sonho de infância. Sei que o ingresso é caro e as condições são precárias. Financeiramente falando, não vale a pena. Mas ano passado eu fui.
Todo mundo fala que já conseguiu ingresso de graça e tal, que conhece o pessoal do autódromo, ou ganhou de alguém que trabalha na Petrobrás. Como se fosse tão fácil. Eu participei de sorteios algumas vezes e não ganhei.
Um colega me ofereceu um que tinha mas desencontrou e não estava mais disponível quando eu consegui falar com ele. Então eu paguei. Não me arrependo.
A maior satisfação foi saber que eu estava bem preparada. Encarei chuva, sol, levei lanche, cheguei cedo para guardar lugar, controlei a quantidade de água para não precisar usar os banheiros químicos. Deixei para comprar a camiseta que eu queria numa hora de pouco movimento. Levei capa de chuva, protetor solar, protetor auricular, máquina fotográfica. Me informei sobre transporte para não precisar estacionar. Compramos a passagem de ônibus de véspera. Enfim, fiz tudo. Menos levar o fone de ouvido para ouvir a narração da corrida pelo rádio.
Assistir pela televisão é mais confortável. Dá para acompanhar melhor. Mas assistir das arquibancadas têm o seu charme. É praticamente uma comunidade de pessoas que se encontram uma vez por ano, com um interesse em comum. O ambiente, se não fosse tão bizarro, eu diria que é agradável. É uma experiência única. Ainda mais para quem gosta.
O mais engraçado é ver que tinha tanta gente perdida que eu tinha que explicar o que estava acontecendo. As pessoas deviam pensar: "Como essa menina sabe essas coisas? Não veio só para acompanhar o namorado?". Na verdade era o contrário. Ele que estava me acompanhando. Ele que me incentivou a realizar esse sonho que eu tanto queria. E ele que fez de tudo, apesar das dificuldades, para eu me divertir. Por isso estávamos tão bem preparados.
Esse ano, rapidamente me conformei em não ir de novo. Eu quero ir de novo, mas não precisava ser esse ano. Minha vida ainda está muito bagunçada. Vou assistir pela tv. Quem sabe ano que vem consigo acompanhar a temporada completa e vou no autódromo ver a decisão do campeão. Quem sabe consigo ingresso com direito a acesso aos boxes. O sonho eu realizei, mas não vou deixar de gostar de assistir corrida de carros.
Um colega de trabalho veio me fazer inveja. São poucos que gostam tanto ou mais do que eu, mas este estava muito feliz. Pagou caro pelo ingresso, mas acha que valeu a pena. Acabei por ficar feliz por ele. Vou assistir a corrida pela tv e se eu não resistir venho comentar o resultado. Não pretendo torcer pro Alonso, mas esse ano eu não tenho um favorito para torcer.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pollyanna - A Pequena Órfã


Este livro é muito antigo. A primeira vez que eu li, era uma livro que havia sido da minha avó. Eu lembro que nesta época, eu devia ter uns 12 anos, eu pensava que todo livro devia trazer uma mudança de comportamento. Isso é difícil de explicar, então vou deixar para um outro momento. Mas adianto que isso nunca ocorreu da forma como eu imaginava.
Bom, como diz o livro, Pollyanna é uma menina que fica órfã ainda nova e vai morar na casa de uma tia que sequer conhecia e que não tem filhos.
Desta segunda vez que eu li, achei um pouco estranho as referências que Pollyanna tem já que, embora não fosse órfã até então, sempre viveu entre as mulheres da caridade. Tive um outro olhar sobre este livro que despertou sentimentos muito diferentes. Eu imagino como seja ser pobre: nunca vivi na riqueza mas já passei necessidades. Eu não tenho filhos, mas acredito que as crianças precisam ser crianças. Precisam ter tempo para brincar. E ajudar aos outros tem que fazer parte da realidade, mas não ser a única ocupação de uma criança. Não precisa fingir que não tem problemas, ou que não passam fome, mas também não precisa tirar a infância de uma criança colocando tanta responsabilidade com o compromisso com a caridade. É assustador. E eu via isso na Pollyanna, uma criança completamente comprometida com a caridade.
Bom, a Pollyanna é uma criança muito viva e cativante. Em pouco tempo ela conhece e é conhecida por cada pessoa da cidade. E dessa forma ela mexe com a vida de muita gente.
Além da infinita vontade de ajudar, outra característica cativante de Pollyanna é o seu prazer em jogar o jogo do contente. O jogo consiste em sempre pensar no lado bom das coisas por pior que elas sejam. Desta forma você sempre pode se ver contente. O perigo é que, na verdade, na maioria das vezes, o jogo do contente te leva a pensar não no lado bom das coisas mas na existência de coisas ainda piores. E essa não é uma forma boa de pensar porque você está negando o negativo. Matematicamente isso é bom, mas eu, pessoalmente, não concordo muito.
Voltando para a história da Pollyanna, ela chega a ser chata de tão repetitiva e de tão otimista. Mas a gente lê sobre pessoas que acataram com uma pequena mudança de comportamento ao jogar o jogo do contente que tiveram uma grande mudança em suas vidas.
Não é muito diferente dos livros de auto-ajuda tipo "O Segredo". Já falei um pouco sobre livros de auto-ajuda, e devo voltar a falar num outro momento. Eu considero que esta é a melhor forma de ler um livro de auto-ajuda, de forma indireta. Isso funciona bem com livros infantis, já que todas as histórias precisam de um fundo moral. Começando com os Contos de Fadas.
Voltando à história da Pollyanna, este livro teve direito à continuação. Neste primeiro livro, depois de um acidente, toda a cidade corre para visitar Pollyanna e agradecer o bem que ela fez. E então a tia descobre o quão especial pode ser aquela menina e o seu jogo do contente. No livro seguinte, o que parece uma ideia desvairada, Pollyanna muda para outra cidade, para ficar na casa da irmã de uma enfermeira que precisa de companhia e também muda a vida da comunidade com seu jogo do contente.
Tente imaginar as coisas mirabolantes que a Pollyanna imagina para ficar contente nas piores situações. Quer um exemplo: ganhar muletas em seu dia de aniversário! Solução: não precisar usá-las.

Como me Tornei Estúpido

Por este título de livro eu não dava nada. Mas eu vi um comentário de uma pessoa que leu e achei que valia a pena experimentar, afinal de contas, eu leio quase tudo.
Logo no começo, Antoine conta resumidamente sua vida até os 25 anos e justifica porque acha que o melhor para si é se tornar estúpido. Tá, eu vou contar mais, Antoine é muito inteligente e pensa que é essa consciência de tudo que o impede de ser feliz. Antoine não consegue sequer conceber a felicidade e não tem motivação para viver. Acredita que a ignorância, ou estupidez, trará alguma motivação para sua vida ou ao menos tirará a necessidade de motivação para a vida.
Bom, a primeira tentativa que faz é se tornar alcoólatra, mas para seu azar, como nunca antes tinha bebido, ao tormar meio copo de cerveja entra em coma alcoólico. Seu corpo possui uma sensibilidade ao álcool e ele não sabia.
Daí já dá pra ver que a missão de se tornar estúpido não é tão simples. Pra não contar muito mais, já que eu contei os 2 primeiros capítulos, Antoine tem mais algumas tentativas frustradas. Mas não vou contar o final.
No começo, eu achei o Antoine muito arrogante por se denominar tão inteligente. Depois fiquei com raiva da nerdice dele. Quem, para se tornar alcoólatra, busca as informações nos livros? Sim, todas as referências disponíveis na biblioteca na qual ganhou até homenagem por ser o associado que mais livros pegou.
Depois do meio do livro, eu entendi melhor. Comparando com uma população alienada e com baixos níveis de instrução e cultura, muitas vezes a vida se torna preocupante. E alguns perdem o sono. Ainda mais nesta época de eleição. Ouvimos cada coisa que não faz sentido! E Antoine se sentia assim. O tempo todo.
A consciência de Antoine que o faz se sentir tão mal não é motivo para ele não fazer nada para mudar. Antoine é derrotista e sequer cogita a hipótese de usar a sua inteligência para empregar em algo que possa erguer a população até si. Prefere nivelar por baixo, o que é mais fácil.
Os amigos de Antoine acabam sendo as peças-chave nesta história. Principalmente porque nenhum deles compartilha do mesmo sentimento e nem são extremamente inteligentes.
Outra coisa interessante é quando Antoine tenta arrumar emprego. Antoine possui vários cursos e especializações em áreas distintas. Na maioria das vezes em assuntos que ninguém mais teria interesse em conhecer.
Não busquei informações sobre o autor e nem li críticas sobre o livro, mas achei interessante.
Bom, a informação que eu quero passar sobre este livro é que sua leitura é válida. E eu ainda vou me lembrar dele por um bom tempo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Moby Dick

Assim como Pinóquio, Peter Pan, O Mágico de Oz, Os Três Mosqueteiros e Alice no País das Maravilhas, esta é uma obra que costuma ser lida na infância. Mas eu não li. E também não queria ler obras adaptadas. Confesso que a minha relação com estas obras infantis é meio estranha. Este tem sido um ano com muitas leituras atrasadas e esta foi mais uma ou a primeira do ano!
Em Moby Dick é narrado o dia-a-dia de uma tripulação de uma baleeira, cujo maior objetivo é encontrar e matar a baleia conhecida com Moby Dick. O personagem narrador descreve o cenário e a rotina que ele encara para ser aceito como tripulação, a busca por embarcações que estivessem contratando marinheiros, a convivência com os colegas, inclusive seu colega de quarto muito estranho e assustador, as intermináveis esperas em terra e as infinitas histórias contadas a bordo enquanto em busca da maior e mais traiçoeira baleia que já destruiu tantas embarcações. Eles vão percorrendo de norte a sul e de leste a oeste todos os limites de existência de baleias. E não se contentam apenas em caçar baleias, a intenção é capturar Moby Dick. A quantidade de marinheiros mutilados, sem a perna, sem o olho, sem a mão presentes na embarcação...
Em meio às descrições pessoais e das conversas durante as buscas pela baleia é possível perceber claramente que o objetivo é o desafio. Não faz parte da lógica apenas no sentido da vingança. O capitão não tem limites em sua obsessão pela captura de Moby Dick. Lá, cada um tem seu objetivo e inclusive muitos são mercenários, estão na profissão apenas para a remuneração.
Atualmente, diferente da época em que foi escrito, existe uma preocupação muito grande em torno da preservação do meio-ambiente e da preocupação com a caça predatória pelo risco de extinção de espécies. Aparentemente, esta atividade foi considerada uma atividade nobre e os profissionais envolvidos eram admirados por sua coragem. Diferentemente hoje, esta seria uma profissão marginalizada. O Greenpeace cairia em cima.
Isso foi algo impressionante para mim. Não acho que a obra tenha perdido o seu valor literário, mas acredito que o impacto que causa já não é o mesmo pela mudança do contexto atual.
Não tem nada a ver, sei que é um exemplo idiota, mas o filme "Free Willy" coloca a baleia como heroína e acabamos por torcer para a derrota dos caçadores. Isso por que o objetivo em Free Willy não é matar a baleia, e sim mantê-la presa. Em Moby Dick, a baleia é o bandido, é o ser mal que já destruiu embarcações, aleijou e matou tantos marinheiros e deve ser eliminada. É uma mudança de paradigma. Mas não é uma leitura muito agradável pelas descrições do ódio e da sede de morte.
Eu diria que Moby Dick é uma leitura clássica recomendada a qualquer momento. Para crianças, sugiro as obras adaptadas e mais curtas. Lembrando que pode ser uma das leituras indicadas em escolas. No meu caso, me abriu a mente. Trouxe uma nova percepção da preservação: a preservação humana.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Máquina do Tempo

Em 2005, eu assisti na TV aberta o filme a Máquina do Tempo. Lembro que fiquei impressionada com a criatividade do autor em criar um ambiente futurista muito diferente do que se imagina em outras obras de ficção científica. O filme que eu assisti foi uma regravação do filme feito na década de 70. Dizem que o anterior era melhor mas com uns efeitos especiais mais fraquinhos. Mas esse eu não assisti. Não achei para vender ou para alugar.
Mas o livro que deu origem ao filme já está em domínio público, disponível no projeto Gutemberg. Esse livro eu li em inglês mesmo porque não achei em português. Resisti por bastante tempo tentando achar uma edição em português, mas não achei. Um livro do mesmo autor que é possível achar em português é "A Guerra dos Mundos" que também virou filme com Tom Cruise e Dakota Fanning.
"A Máquina do Tempo" é um livro bem fininho e bastante diferente do filme. No filme, o pesquisador resolve viajar no tempo para evitar a morte de sua noiva.  E depois de sucessivas tentativas, percebe que embora possa viajar no tempo não pode mudar o destino das pessoas. Então acaba por voltar a viajar no tempo para não precisar viver junto a tudo o que lembra a pessoa que perdeu.
No livro ele não tem essa motivação. Não tem noiva. Não tem sequer nome. O narrador é um dos personagens que visita o viajante do tempo nas reuniões em que este descreve e tenta comprovar que de fato viajou no tempo. Seus visitantes, convidados a ouvir o testemunho do viajante são intelectuais: médico, jornalista, psicólogo...
O viajante descreve os efeitos da máquina e também o que encontrou nos lugares (ou no tempo) que visitou.
Essa história se passa na Inglaterra. Um período que ele visita é o ano de 802.701 (!). E descobre a formação de duas raças humanas Morlocks e Elois com características opostas (hábitos noturno/diurno, forma de alimentação carnívora/vegetariana e ocupação principal desenvolvimento físico/mental).
Como disse anteriormente, a descrição utilizada é muito diferente de outros livros de ficção. O autor não aposta no desenvolvimento tecnológico, no domínio das máquinas ou na viagem interespacial.  Não nesta época no futuro que o visitante esteve. É quase como se houvesse um retrocesso. Mas que ocorreu de forma diferente para cada raça. Habilidades como a fala estão atrofiadas. O viajante diz que entre os Elois fica impressionada com a inocência e o desapego à vida. São como carneiros de rebanhos que não correm de seus lobos ao serem atacados.
Confesso que prefiro a versão mais romantizada do filme. Mas o livro é no mínimo curioso e inédito em sua perspectiva. Fiquei um pouco frustrada por ser tão diferente do filme, mas não tive dificuldade alguma de ler em inglês. Como obra de ficção científica, só não acho melhor do que Douglas Adams. "O Guia dos Mochileiros da Galáxia" é muito bom. Mas esse é assunto para outra hora.

domingo, 31 de outubro de 2010

Uma Breve História do Mundo

Além da minha fixação por clássicos eu também tenho fixação poe livros históricos e eventualmente livros de História. Quando eu vi a capa deste livro, nem me dei ao trabalho de ler a contracapa e as orelhas, já acrescentei na minha lista de leitura.
Embora o livro não seja muito pequeno 335 páginas, de fato ele é breve. É dividido em três partes e os capítulos são relativamente curtos. Possui alguns poucos mapas e ilustrações e pequenas caixas de destaque para determinadas passagens. A divisão dos capítulo não foi feito de forma tradicional por períodos da história, e sim, por temas (assuntos). Em geral, ainda segue uma ordem cronológica.
Acredito que o principal ponto forte foi o destaque que é dado para a descrição da história oriental que costuma ser bastante deficiente nos livros de história que se detêm apenas na história ocidental. Ou seja, fala-se muito de Império Romano mas não se fala do Império Mongol que foi ainda maior e mais duradouro. Em "Uma Breve História do Mundo" os dois estão presentes.
As referências aos principais fatos históricos também é diferente. Pareceu ser bem mais imparcial em algumas situações e o autor também teve o cuidado de se omitir em tantos outros, o que se justifica por ser uma narração breve.
Tem um capítulo inteiro sobre a Origem das Religiões no Oriente Médio.
Não pode ser considerado um substituto de algum livro escolar e nem poderia ser usado para estudar para concurso (embora eu desconheça concurso que exija a disciplina. Sorry, total ignorância).
É ótimo para quem é entusiasta no assunto e queira apenas relembrar um pouco de história. E principalmente para aqueles que já esqueceram poderem relembrar ou aprender um pouquinho.
O maior mal de ler romances épicos é que eles usam licença poética e distorcem um pouco da história para valorizar o personagem que algumas vezes é ficcional. Talvez por isso seja tão importante ler livros imparciais com esse para limpar as impressões anteriores. Uma pena ser tão breve.
Dizem que a importância da história é conhecer o que somos e aprender com os feitos do passado. Sem manter uma base histórica de dados ou fatos podemos gastar toda uma existência apenas repetindo tudo que alguém já fez. A partir destes conhecimentos podemos partir de onde outros pararam e ampliar o conhecimento da humanidade.
A parte mais recente da História provavelmente será melhor tratado no livro seguinte "Uma Breve História do Século XX". O que considerando a quantidade de séculos descrita neste livro, confirma estar sendo dado muito mais detalhes na História Recente do que na História Remota. Ainda não li o livro. É o próximo depois de "O Homem Invisível". Aguardem.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Leviatã

Pela minha lista de leitura, dá para perceber que leio umas coisas meio estranhas. Tem uns livros de história, filosofia, administração e ciências sociais. Um pouco é por que eu gosto e um pouco é por que eu preciso. É claro que eu não entendo tudo, mas alguma coisa boa sempre me traz.
Leviatã eu resolvi ler porque tem naquela coleção de Grandes Nomes como referência na História da Administração. Eu sei que o pai da Administração é Peter Drucker, mas muita coisa começa com Weber, Maquiavel, Aristóteles e Hobbes. Eles que fizeram as descrições de Estado que ainda hoje são utilizadas. E como eu preciso continuar estudando, eu volto para as obras antigas que eu não tive tempo de ler durante a gradução e o mestrado.
Leviatã é um livro bastante instrutivo e curioso. Fez-me refletir sobre a diferença de desejo e vontade, sobre ordem e conselho e as responsabilidades apregoadas a cada conjunto de ações, para quem dá e quem recebe. A evolução dos conceitos para os sistemas de governo e a legitimidade da democracia.
Não se trata de uma leitura fácil. E muito provavelmente requererá mais do que uma leitura para uma boa absorção do conhecimento. Ainda sei muito pouco, mas tentei ler sem ficar voltando páginas para entender melhor.
Fala da importância do estado laico e da posse da terra. Fala das leis civis. Veja esta passagem:
"Expus até aqui a natureza do homem (cujo orgulho e outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo), juntamente com o grande poder de seu governante, ao qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, disse ele, que se possa comparar. Ele é feito de maneira a nunca ter medo. Ele vê todas as coisas abaixo dele, e é o Rei de todos os filhos da Soberba. Mas dado que é mortal, e sujeito à degenerescência, do mesmo modo que todas as outras criaturas terrenas, e dado que existe no céu (embora não na terra) algo de que ele deve ter medo, e cuja lei deve obedecer, vou falar no capítulo seguinte de suas doenças e das causas de sua mortalidade; e de quais as leis da natureza a que deve obedecer."
Um assunto que eu refleti bastante foi sobre a constituição de um Estado. No livro, o autor argumenta sobre as responsabilidades e os deveres dos governantes e a relação do povo com seu governante nas diferentes formas de governo. Depois de apresentar as relações dos cidadãos. Mas o que essa explanação me fez refletir foi sobre o direito de liberdade. Embora o cidadão seja livre, este não pode recusar-se a pagar um imposto por não concordar com ele sem que tenha que ser banido ou exilado; pois se não pagar os impostos e não seguir as leis de seu Estado já não possui os direitos aos serviços que são dever do Estado fornecer, certo? Isso foi um pouco de devaneio da minha parte, mas a relação da cidadania e da democracia pelo voto tem me colocado cada vez mais em dúvida. Então, embora eu tenha direito ao voto e tenha escolhido o melhor candidato, se este não for eleito, tudo o que eu posso fazer é esperar a próxima eleição. Existe compromisso entre eu e o atual governante? Eu tenho como não aceitar asua nomeação? Isso também renega o Estado.
Então, se você também costuma pensar nisso, leia Leviatã e veja as relações dos direitos e responsabilidade dos governantes, do Estado enquanto nação e dos cidadãos perante o código de leis instituído.

sábado, 23 de outubro de 2010

A Origem das Espécies

Quando eu fui ao Museu de História Natural de Nova Iorque, pensei em comprar "A Origem das Espécies". É, até em museu, eu só vejo livro para comprar. Mas este é um livro muito complexo para se ler em inglês. Deixei para procurar quando voltasse para o Brasil. Pelo menos não gastaria alguns dólares por um enfeite da estante que eu ia acabar doando. Eu não ia conseguir ler.
Lembro que no semestre passado, um colega do curso de inglês resolveu resumir a teoria da evolução de Darwin como sendo "só os fortes sobrevivem". Que eu saiba, esta era a lei da selva, certo?
Darwin era um estudioso, acadêmico. A leitura que eu fiz (em português, claro) lembra a leitura de uma dissertação. Darwin revisa as pesquisas que foram desenvolvidas e que serviram de apoio para sua própria pesquisa. Alguns resultados ele contestou refazendo a experiência, algumas ele citou como princípio para sua pesquisa.
Agora, explicando melhor o "só os fortes sobrevivem", a ideia de Darwin é que várias espécies se extinguiram por não estarem adaptadas às mudanças do meio ambiente (não quer dizer força, e o embate não é direto na cadeia alimentar). E que pequenas mutações podem determinar, ao longo do tempo, geralmente séculos, a geração de uma nova espécie, uma vez que já não seja possível o cruzamento entre seres desta mesma espécie mas de diferentes raças. Isto geralmente acontece após migrações de tribos.
Os estudos foram feitos em diferentes espécies e nem todos os estudos foram conclusivos. Não é possível afirmar, com a leitura de "A Origem das Espécies" que Darwin contesta a criação divina. Isso era uma curiosidade para mim, já que a obra foi banida por algumas igrejas. O que ele deduz pelas evidências é que as espécies devem ter tido uma origem comum que sofreu uma série de pequenas mutações e que esta diferenciação ele chamou de evolução. Mas nunca foi encontrado o elo perdido (o ser intermediário entre o macaco e o homem, por exemplo) que confirma que houve de fato a evolução das espécies.
Este também não é um livro fácil. É uma leitura cansativa, mas é bem melhor que os livros que estudávamos na escola sobre o assunto. Estudei num colégio bastante tradicional e que havia sido colégio de freiras. Então esse assunto era polêmico. Os professores tinham medo de serem mal interpretados ao tratar do assunto, o que acabava gerando algumas discussões.
Por isso acho que foi bem importante ter vindo à fonte do conhecimento. Como já havia lido muitas teses e dissertações, estou acostumada com a liguagem e as citações de referências. A versão que eu li foi pocket também, mas não sei se houveram cortes com relação à edição inicial, provavelmente a tradução deve estar diferente do livro original.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reparação

Cada livro ou filme da minha estante tem um história especial. Essa é meio confusa, mas vamos ver se dá pra entender:
Sou completamente apaixonada pela série Orgulho e Preconceito da BBC. O filme de Hollywood eu já assiti mais de 10 vezes. Eu quase comprei-o no começo do ano mas eu não gosto do sorriso da Keira e achei que não combinou com a personagem (não sei por que). Então acabei comprando só a série da BBC que é bem melhor!!! Essa história não termina aqui, preciso voltar ao assunto. No dia em que fiquei namorando Orgulho e Preconceito e não comprei, tinha um pack com Orgulho e Preconceito e com Desejo e Rreparação. E eu não conhecia o última (sou muito desatualizada em matéria de filmes, confesso). Desde então fiquei curiosa para assistir o filme que eu abandonei com a sensação de que ia gostar. Meses depois, descobri que o filme foi baseado em um livro, mas que se chama "Reparação" de Ian McEwan e eu fui procurar o livro para ler.
No começo achei a história muito confusa, porque tem uns cortes de cena e no capítulo seguinte continua de um ponto anterior só que sob o olhar de outro personagem. Os capítulos são narrados tanto pela Brionny como por sua irmã mais velha Cee, ou Cecília e também por Robbie.
Mas esta história não é um romance como eu imaginava, é um baita de um drama.
Eu fiquei aguardando a Reparação e fiquei surpresa e frustada com a forma com que aconteceu. Esse foi um dos livros que mais me deixou triste, não emocionada. E não foi legal essa sensação. Como eu disse em outro post, tenho dificuldade em lidar com obras muito reais e principalmente as não-ficção porque não me sinto bem. Na maioria das vezes eu uso a leitura para me desligar da vida cotidiana.
Bom, contando um pouco mais sobre o enredo, Brionny é uma menina de seus 12 anos com talento para escrever e contar histórias. Então ela vê uma cena pela janela, não entende muito bem o que está acontecendo e acaba imaginando coisas.
Nesta noite, com a casa cheia, todos saem para procurar os gêmeos que fugiram de casa e ela vê outra cena suspeita, dessa vez com a prima mas ela (a prima) não confessa o que aconteceu e induz Brionny a entender qualquer coisa. E Brionny, diante da polícia, acusa Robbie, o filho da governanta, instruído e criado junto com os filhos da família, de ter atacado a prima de Brionny. Diante das parcas informações que Brionny tem, a história que imaginou e narrou para a polícia parece fazer sentido e até provas ela obtém de maneira suspeita. E apesar de tudo, ninguém acredita na inocência de Robbie, apenas Cecília e ele vai preso.
Tempos mais tarde, Brionny entende que não agiu certo e que não tinha como ter certeza. Então quer reparar o mal que fez a sua irmã e a Robbie os separando. Logo após a prisão de Robbie, Cecília se afasta da família e vai se preparar para ser enfermeira. Sequer abre as cartas que recebe e não escreve para mais ninguém. A tentativa de Brionny chega relativamente tarde. Embora tente seguir o mesmo caminho da irmã, ambos já estão a serviço das forças armadas inglesas em plena II Guerra Mundial.
Na sexta passada eu finalmente assisti o filme na tv a cabo. E o filme é extremamente fiel ao livro e portanto muito triste. Talvez o final esteja um pouco diferente, mas o tipo de narração que troca de personagem e volta alguns instantes no tempo ficou muito bom! Não vou contar o final, mas a história não acaba por aqui. Os atores estão muito bem e o Robbie... Suspiros!
Recomendo muito cuidado, tanto para ler como para assistir se for fraco como eu. Não pretendo comprar o DVD ou o livro. Não conseguiria relê-lo. Mas é uma experiência impressionante e que valeu a pena.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Elogio da Loucura

Este título de livro me deixou curiosa. O autor, Erasmo de Roterdam também. Mas o que devo esperar de elogio da loucura? Pode ser uma obra de um grande pensador ou filósofo. Mas sobre o que ele escreve?
Realmente é sobre a loucura. Ou melhor, é a loucura o elemento desta obra.
Na introdução, Erasmo avisa que a obra será um elogio da loucura como tantos outros falaram sobre tantos assuntos. E a loucura nunca antes foi tratada com tanta importância.
Na verdade, não deveria parecer um assunto tão absurdo. Entendo que tem muitas coisas mais estranhas para se falar do que a loucura, mas de fato, é inusitado.
Considero uma espécie de sátira nerd. Porque o autor escreve um elogio formal com o uso de várias palavras gregas comparando acontecimentos históricos e citando personalidades conhecidas por suas abordagens filosóficas. Não só cita Aristóteles e Platão como também Cícero. Além disso referencia várias passagens da Bíblia, tanto N.T. como A.T.. Mas o assunto não é sério. Utiliza muitas vezes de contraditório para justificar o assunto. É no mínimo curioso. Se por um lado para os estudiosos é uma obra boba, para os demais é uma obra chata. Então, a quem agrada?
Aos nerds. A todos aqueles que não são inteligentes o suficiente para estudar e compreender as obras mais sérias e também são inteligentes o suficiente para terem interesse em obras mais variadas.
Confesso que não chego a entrar neste grupo porque tive dificuldade em entender, mas acredito que valeu por ter me feito refletir sobre a loucura e todas as pessoas loucas que eu convivo e que a psicóloga que me atende diz que eu devo me acostumar com elas ao invés de tentar trazê-las para a lucidez. E principalmente me fez refletir sobre quando a psicóloga diz que, sim, é possível que eu seja normal e a maioria dos outros é que tenha distúrbios.
Estudar demais pode ser perigoso e não estudar pode ser ainda pior se perdermos com isso a capacidade de refletir.
Se a loucura fosse de fato uma pessoa ou um ser, o máximo que poderia fazer era influenciar outras pessoas. Mas da forma como é, eu não saberia dizer qual a melhor forma de definir a loucura.
Elogio à Loucura não é um livro apenas para divertir. Diverte muito pouco. Traz alguma reflexão mas não traz a tristeza como em "O Alienista" de Machado de Assis. Principalmente por que lida com a loucura com lucidez e humor. É um livro rápido, apenas 120 páginas na versão pocket, então dá para ler no ônibus, avião, metrô, sala de espera... E não precisa largar correndo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Retrospectiva

Como já sei que vou viajar este fim de ano, vai ficar complicado fazer um balanço final. Então estou me propondo a fazer uma espécie de retrospectiva, comentando um pouco de tudo que se destacou no ano.
Não seria capaz de escolher o melhor e o pior e coisas do tipo, nunca fui boa de julgamentos, mas que tipo de livro que eu mais li, livros técnicos, romances de banca, livros infanto-juvenis, ou os meus romances épicos. Quantos dos que eu li já estavam na lista, quais eu passei na frente e quantos eu simplesmente atropelei. Quais eu leria de novo. Quantos estão parados e quantos depois de muito tempo eu terminei. E até mesmo quais eu não lembro nem para contar como é a história ou o nome dos personagens (Minha memória já foi melhor, hoje isso acontece mais do que eu gostaria).
Claro que depois da retrospectiva, quero estipular metas para a minha leitura de 2011. A princípio, eu não esperava ler tanto, minha meta era chegar a 100 e eu já passei. Outra meta era fazer a minha lista girar, e parar de passar a frente com outros livros. Mas os livros que eu pego emprestado não tem jeito, eu passo a frente, mesmo por que tenho que devolver. Até hoje, tem só um livro que eu não devolvi por que perdi o contato com a pessoa. Mas aconteceu, eu espero que não mais. Também já doei bastante livros para bibliotecas. E a maior parte dos livros que eu leio é de bibliotecas ou eu pego emprestado.
Então aguardem os meses de dezembro e janeiro com a minha retrospectiva 2010 e planejamento 2011. Já estou deixando o rascunho dos post prontos para finalizar só no mês de dezembro e janeiro.
Ainda não decidi se esse foi o ano Crepúsculo ou Harry Potter. Provavelmente vou ter que escolher por mês. Ano passado, foi o ano de viagens. Curiosamente, eu viajei bastante e comprei bastante livros sobre viagens. Um colega de trabalho que comentou isso quando viu os livros que eu levava nas viagens. Só por causa do "Il Milione - As Viagens" de Marco Polo e "Viagem ao Brasil" de Hans Staden...
Muitos livros eu li em avião, ou em sala de espera de aeroporto. Principalmente os livros em inglês que eu aproveitava para estudar. Outros tantos eu li no hotel nas infinitas missões no Rio de Janeiro. E alguns eu até comprei em aeroporto, para ter o que ler na viagem. Então eu me lembro da viagem em cada um deles.
Um fato muito positivo foi que eu perdi o medo de ler em inglês. Não me arrisco muito em outras línguas, mas superei o medo de ler em inglês. Afinal, alguns títulos são mais baratos em inglês.
Esse ano também eu aumentei demais a lista de leitura. Descobri muitos mais livros que existem e desisti de ler todos os livros do mundo (hehehehe...).
Bom, deixa eu continuar as linhas leituras que ainda tenho muita coisa para ler e escrever.

sábado, 16 de outubro de 2010

Travessuras da Menina Má

Esse livro também tem uma história de como chegou na minha Lista de Leitura. Ano passado, num feriado que eu não pude emendar, fomos passar o dia em Campos do Jordão/SP. Chegamos cedo para pegar mesa na calçada e nem estava tão frio. Mas estava cheio e apertado. Impossível conversar sem que a mesa ao lado ouvisse. Praticamente cochichávamos. Mas os caras da mesa ao lado estavam falando bem alto. Bem sem noção. Um deles tava falando sobre uma viagem que fez ou ia fazer para a França quando outro falou: Se você quiser passear e conhecer a França, você tem que ler um livro. Quando eu ouvi isso, espichei o ouvido. Adoro receber dica de livro. Ainda mais sem pedir. Aí o cara pediu para pegar a cadeira que estava na nossa mesa e continuou falando: Tem um livro que vai falando de um monte de lugar para visitar e comer na França, o livro se chama Travessuras da Menina Má. E mesmo depois da confusão e do aperto, quando eu fui embora fiquei pensando neste livro. Já tinha ouvido falar este título, mas não conhecia. E eu queria poder conhecer a França um dia. Coloquei na minha lista de leitura.
Como esse mês foi concedido o Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa e todas as livraria estão divulgando os livros dele, enquanto não leio outro, gostaria de contar sobe o único livro dele que eu li: Travessuras da Menina Má.
A minha primeiro surpresa quando comecei a leitura é que a história começa no Peru. E este é um país pouco conhecido considerando o tanto que é perto do Brasil. Outra coisa surpreendente foi que eu percebi que este foi o primeiro livro de lingua espanhola que eu li (mas eu li em português, viu).
O personagem principal e narrador da história tem como objetivo de vida viver em Paris. Não importa a profissão. Então ele vai trabalhar como tradutor e intérprete. O tempo todo ele ganha pouco então está sempre procurando trabalho e cursos para conseguir mais trabalho. O cara vai estudar até russo. A maior parte do tempo ele está trabalhando para a ONU, mas nunca como efetivo.
Os amigos dele, a maioria é estrangeiro querendo ir para Cuba aprender técnica de guerrilha para lutar pelo Peru. O personagem até tenta mas é bem difícil não se envolver com política.
A Menina Má é uma antiga vizinha que ele reencontra na França e a paixonite de infância volta. Mas ela não está muito interessada na vida que ele tem para oferecer. Por ser muito bonita, quer tentar arrumar um bom casamento. É uma personagem misteriosa. O destino os faz reencontrar várias vezes e em cada uma delas ela está com um nome diferente. Ele nunca chega a conhecer a história dela de verdade. Apenas algumas partes. Por isso ele a chama de Menina Má.
Bom, eu resumi demais a história. Gostei bastante dos personagens, aprendi bastante sobre o Peru e sobre Paris e recomendo. O narrador sempre conta os lugares que vai visitar e principalmente os lugares que vai comer. E como sempre está com pouco dinheiro, o roteiro é barato mas não perde todo o charme de Paris. Por isso que o cara da mesa ao lado indicou como roteiro de viagem para a França. Na verdade o personagem sai muito pouco de Paris que não seja a trabalho, mas viaja um pouco.
Não é um conto de fadas. Pensei que talvez fosse auto-biográfico, mas não é. Tem um desfecho bastante interessante. Tenho procurado em sebos para comprar mas ainda acho muito caro, não é minha prioridade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Série Magia em Manhatan

Quase todos os roteiros têm a mesma fórmula de sucesso. Então nestas histórias de adolescentes, o conflito é sempre sobre a popularidade e um aluno deslocado tentando entrar para o grupo dos populares. Aí, funciona por um tempo, e a escola descobre a tramóia e volta a ser como era antes mas agora feliz por que a mocinha encontrou o príncipe encantado.
Pensando na história dos 3 livros da série Magia em Manhatan (não sei se terão mais), o roteiro não foge muito. Só pelo fato de que ela descobre que a mãe e a irmã são bruxas e então utiliza de mágica para conquistar a popularidade. Isso eu acho que é novo.
O dom da magia aparece na adolescência. Não existe uma comunidade secreta ou uma escola bruxa, mas o dom passa de mãe para filha (só mulheres) e é a mãe ou avó que deve instruir a bruxinha no uso da mágica. Mas não é muito complicado, tem um livro de feitiços.
A história é bastante engraçada. Você vê o tempo todos as coisas dando errado. E fica pensando se dá para consertar mais essa. A Rachel me lembrou bastante a Steph de "Como se Popular" da Meg Cabot. Também em forma de narração pela personagem principal, não tem muita participação dos outros personagens.
No primeiro livro da série, Feitiços e Sutiãs, Rachel quer ser do grupo de desfile (tá mais para um grupo de dança, mas foi esta a tradução utilizada) para se tornar popular e quem sabe namorar o Raf. Mas ela não sabe acompanhar o ritmo e é desengonçada. Mas sua irmã Miri usa um feitiço para dar ritmo ao corpo da Rachel. É claro que isso não acaba bem.
No segundo livro, Sapos e Beijos, Rachel está MUITO mais madura e menos egoísta. Encara a vergonha de ter destruído o desfile. Mas neste livro, depois de um feitiço errado que faz o irmão do Raf se apaixonar por Rachel, ela retorna ao grupo dos populares e machuca um pouco mais o Raf. Até enxergar que só estava fazendo mal e tenta consertar tudo.
O terceiro livro tem um novo cenário e muitos personagens novos. Estão num acampamento. E Rachel quer ser aceita pelo grupo de meninas de seu dormitório que se conhecem há anos e ela é a garota nova. Mas logo no primeiro dia, Rachel já faz uma inimiga que quer roubar a sua vida (amigos, família e quase-namorado). Mas tudo bem, agora Rachel também é bruxa. Mas criar feitiços não é tão simples como matemática para Rachel.
Como eu disse antes, é bastante divertido. No primeiro livro perdi a paciência com a imaturidade da Rachel, mas também perdi com a Mia (em "Princesa no Limite", quase desisti de terminar de ler a série, mas valeu a pena). Lidar com o segundo casamento do pai, uma madrasta que tem uma filha mais nova, a vontade da Miri de salvar o mundo e ainda entender como funciona a bruxaria é interessante. Como eu os li fora de ordem gostaria de ler de novo, em sequência, mas ainda está muito recente.