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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Em 2021, em 2022...

 Eu achei que colocaria em dia todas as anotações que eu tinha de 2021, mas 2022 terminou e ainda tinha muita coisa rascunhada por aqui. Agora estou tendo que correr atrás para colocar em dia também as minhas anotações de 2022. Não sei se conseguirei alcançar o período atual, mas vou tentar trazer tanto quanto possível. Para isso eu preciso saber algumas coisas:

Quais assuntos são mais interessantes. 

Resumos: Eu quero deixar todos os resumos dos livros porque sei que não dou conta de fazer resenha de tudo. E estes resumos são mais diários de leitura, são agradáveis para eu ler, mesmo quando não me lembro bem dos assuntos.

Retrospectiva: Os balanços anuais, os inventários, assim como os avanços da minha faxina para reduzir a quantidade de excessos que eu tenho também são importantes. Mas eu percebo que eu perco a mão quando estou escrevendo, fica tudo um pouco parecido, com cara de diário e pouca coisa acrescento. É o que eu gosto de registrar para comparar, de um ano para o outro, se estou avançando ou rodando no mesmo lugar. Quando não vejo mais razão de avançar, paro de comentar. Mas não sei se interessa continuar contando sobre o que eu estou satisfeita nestes casos que parei de publicar. Teve algum balanço que eu parei de fazer? Não sei, interessa se eu estou tentando reduzir roupa de cama, mesa e banho? As louças da cozinha? As contas da casa?

Balanço mensal: Quando eu já escrevo o texto com todas as informações durante o mês eu acho que fica bom. Quando eu começo a refazer através das minhas anotações, eu sinto que não fica tão interessante de ler. Eu releio muitas vezes o que eu escrevo e, algumas vezes eu saio editando textos antigos que ficaram ruins ou repetitivos. Posso melhorar nisso. Não pretendo parar de fazer estes balanços, seja das leituras, seja dos produtos terminados, mas gostaria de saber o que é mais interessante para eu tentar anotar durante o mês e não perder a informação na hora de finalizar o texto e publicar, independente de publicar logo em seguida ou meses depois. Eu deveria colocar a capa dos livros? Deveria descrever completamente os produtos? As fotografias ajudam em alguma coisa?

Estes textos que eu coloco que são apenas reflexões (como o diário da quarentena, o diário de uma feia, as experiências de leitura que são mais pessoais) são interessantes? Eu devia contar um pouco mais da minha vida de forma pessoal? Eu controlo muito o que eu quero expor, e tento escrever apenas quando sinto necessário. Mas não consigo ter o compromisso diário de escrever. Muitas vezes, além das entradas serem curtas, significa texto mais espontânea, sem pesquisa alguma e sujeito a erros de revisão. Por isso faço de forma mais esporádica. Estou devendo alguma coisa que não concluí? Deveria fazer com mais frequência? Algum ponto de vista é ruim, outro é melhor? Porque isso me ajuda a organizar os pensamentos e construir o texto de forma mais interessante. Não acho que vou escrever um livro, mas se juntar tudo o que eu escrevi pode sair uma história interessante.

Resenhas: Acho que vou continuar fazendo, mas sempre poucas. Mas se estiver muito chato posso colocar só no skoob e parar de publicar aqui também. De produtos eu não quero mais fazer. Me sinto fazendo propaganda gratuitamente. Não sirvo para isso. Só se for para comentar como tirei o produto da minha vida. Na maioria das vezes é uma libertação. Ainda tenho algumas resenhas rascunhadas que pretendo publicar, mas não vou colocar expectativas de novas a menos que seja um pedido específico.

Projetos: Eu tenho ainda muitos projetos, alguns até já fotografei, mas dá muito trabalho escrever sobre. Então não tenho publicado nada. Preciso saber que tipo de projeto é mais interessante, se precisa de um passo a passo. Ou se deveria esquecer tudo isso, porque realmente dá bem mais trabalho que os outros textos.

Por fim, apesar de ter me esforçado para terminar com os meus textos de 2021 ainda estou muito atrasada com os texto de 2022. Devo tirar alguma coisa para atualizar mais rápido? Devo avançar cronologicamente as publicações e deixar só os resumos atrasados mesmo que fique tudo como publicado na mesma data? Eu não tenho um público regular, então sei que não importa muito em estar atualizado. Mas quando alguém pega para ler, geralmente consulta um etiqueta e lê em sequência, por isso é importante manter a ordem cronológica das publicações. Por enquanto estou apenas com as listas de expectativas de leitura em dia, mas logo elas devem ficar mais próximas dos balanços.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Solidão

Falar de leitura não tem como não falar de solidão. Ler é uma das poucas coisas que só pode ser feito sozinho. Cada pessoa tem a sua velocidade de leitura. Não dá para duas pessoas lerem ao mesmo tempo por muito tempo. Ler em voz alta também requer muito talento para acompanhar a leitura. Funciona para textos curtos. E só. Se você inicia uma leitura em grupo, ela não avança se não estiverem todos disponíveis. Não dá para ler e conversar ao mesmo tempo. Não dá para ler com muito barulho sem que se tire a atenção. Ler é solitário.
Por muito tempo usei a leitura para ficar sozinha. Para pensar melhor. Podia estar com o livro aberto concentrada pensando em outra coisa. É sempre a minha companhia em locais de espera. Para disfarçar a minha total falta de habilidade social.
Depois de um tempo passei a me perguntar se eu gostava de ler para ficar sozinha ou se eu lia para disfarçar a solidão. Eu gosto mesmo de ler ou apenas escondo minha incapacidade de me dedicar a mais nada? Essa foi a pergunta que mais me apavorou a vida toda: "O que você gosta de fazer?" E depois de um tempo, a minha resposta padrão foi sempre: "Eu gosto de ler". Mesmo na adolescência, nunca tive fixação por música. A música que eu mais gosto é o silêncio. Isso me faz voltar para a solidão. Eu leio por que sou sozinha ou eu sou sozinha por que gosto de ler?
Eu não sou sozinha. Eu só gosto de ficar sozinha. Ler me ajuda a organizar as ideias. Gente demais me irrita e eu fujo. Mas mantenho contato com a minha família. Sempre tive amigos com quem conversar, mesmo que poucos. Conheço e converso com praticamente todos que trabalham comigo. E não me falta assunto. Mantenho amizades pela internet. Tenho convites para quase todos os fins-de-semana. Então, o que está errado?
Não tem como fugir da solidão. Nenhuma amizade é intensa eternamente. Você terá sua família junto na infância mas terá que se separar. As pessoas mudam os interesses também. Não dá para um momento feliz ser eterno e depois que ele passa, nunca vai se repetir. Ainda não existe viagem no tempo.
Então você pode ter sempre companhia, mas não deve esperar que sejam as mesmas. Talvez você já não lembre o sobrenome de uma melhor amiga de infância. Talvez já não tenha mais o telefone de um grande amigo. E as coisas vão mudando e você está sozinho de novo.
Então a solidão é eterna? Não sei. Mas quando ela vem, eu sempre tenho um bom livro e quando eu tenho um bom livro na mão sempre quero ficar sozinha para ler.
Cada livro traz uma sensação diferente. Um livro ruim ou decepcionante traz mais solidão. Abandone. Tente retomar em outro momento. Procure algo novo. Diferente da leitura anterior. Leia mais de um livro ao mesmo tempo. Não deixe que um livro te faça deixar de fazer outra coisa que gosta. Não troque pessoas por livros. Veja num livro a companhia para uma hora sozinha. Carregue sempre um com você. Nos piores dias prefira reler um livro que gostou do que procurar algo novo. Empreste seus livros. Compartilhe seu conhecimento. Procure algo bom em tudo o que ler. Descanse. Distraia. Pare nos momentos em que achar que deve só para pensar. Anote suas reflexões ou copie o trecho que mais gostou para reler quando quiser. Abra um livro, espere as letras se embaralharem e pense em si mesmo. Se preferir, vire algumas páginas aleatoriamente para não chamar a atenção em púbico. Visite livrarias apenas para ver os livros que existem. Anote aqueles que quer ler. Anote os livros que te indicarem. Anote os livros citados nos livros que mais gostou. Não tenha vergonha de rir ou chorar com um livro. Quem se importa? Leia, mas não seja só.
Saudade...