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sábado, 29 de abril de 2023

Obrigações

 Estou cansada das obrigações que eu me auto impus. Sejam as metas, ou as organizações que eu venho fazendo, sempre com a esperança de reduzir e ter mais tempo para outros projetos. Sei que fiz avanços absurdos. Mas eles não aparecem quando vejo a pilha de tarefas atrasadas.

Sempre deixava para fazer os avanços maiores das minhas organizações nas férias. E tinha a proposta de tentar sempre fazer pequenos avanços durante o ano e nas férias correr e concluir uma das tarefas. Tive a infeliz ideia de pedir para meu marido dizer o que mais incomodava e o que ele achava que deveria ser a prioridade nas organizações e ele disse: as roupas.

Sei que para muitos parece fácil, mas não tem ideia a confusão de sacolas de roupas de crianças de diferentes tamanhos que tenho em casa e a velocidade que as roupas deixam de caber nas crianças. Eu não dou conta de separar, comprar, lavar, tirar do armário, consertar... E as roupas que ainda não estão em uso ou já não estão em uso, são muito maiores do que as quantidades que estão disponíveis para uso. E quando estou terminando uma pilha, aparece uma nova sacola que eu tenho que fazer a nova triagem. Eu até acho que, se tivesse focado só nisso, já teria terminado, como era o desejo do meu marido. Mas não consigo focar só nisso, justamente porque sei que logo vou ter mais trabalho e não tem necessidade imediata de roupas que justifique focar em terminar. E o tormento tem sido que também não consigo focar em qualquer outra organização porque me sinto culpada por não ter terminado o que deveria ser a prioridade. O último porém é que não aguento fisicamente passar mais de duas horas só mexendo nestas roupas, então preciso mesmo fazer paradas e me dedicar a outras atividades e, durante os dias quentes, prefiro não mexer com roupas que, por transpirar muito, é capaz de deixar marcas de mão por estar manipulando ou costurando (são muitos os dias quentes, mais do que os dias frescos ou até mesmo frios).

Pretendia, como pretendo todos os anos, tirar da minha frente uma obrigação por ano. O ideal para este ano seria tirar a pilha de revistas que eu voltei a avançar e teria condições de terminar. Mas até agora não retomei a leitura da que estava em andamento nem sequer peguei qualquer das outras para ler. Poderia ser um projeto curto, mas também está ficando para trás. Um dos motivos é a culpa por não estar focando nas roupas. Outro motivo é que este tempo com as revistas atrapalha na meta das leituras que eu estava indo bem. E o último motivo é que precisei começar a separar os materiais de escola usados das crianças, as lembranças escolares, porque as pilhas estão enormes e eu já não tenho espaço para guardar. Pois é, acabei começando um novo projeto ao invés de focar para terminar os que já estavam em andamento e nunca terminados. 

Então vamos para as dicas:

1. Não deixe que outra pessoa priorize as suas obrigações. Por mais que seja importante respeitar as necessidades dos outros moradores da casa, você vai trabalhar melhor quando estiver motivada. E a felicidade dos outros é importante e deve te motivar, mas não vai ser mais importante do que o que você sente que é prioritário.

2. Controle os projetos paralelos, evite ter muitos ao mesmo tempo. Quando você se divide em fazer muitas coisas ao mesmo tempo, demora mais para terminar cada uma delas do que se tivesse fazendo um por vez. Então é importante escolher poucas coisas e só começar um novo projeto quando terminar um deles. 

3. Conclua um projeto por ano. Parece redundante com o anterior, mas o que eu acho importante em estar separado é que em alguns momentos pensamos que tudo bem, está avançando, mas no fim das contas estou há anos fazendo isso e nunca termino. Preciso que os projetos tenham fim para fazer outras coisas (ou ter tempo de não fazer nada, como é o caso). Então preciso estabelecer um fim e colocar um prazo para executar, de preferência de uma forma visível, como um marco anual. É o que me ajuda nas minhas metas de leituras. Quando olho para as minhas listas de tarefas, percebo que algumas deles eu perdi o controle porque deixo sempre sem prazo e não me cobro. Mas quando faço os balanços anuais e os inventários entendo que deveria ter estabelecido um prazo. Porque com um pouco mais de esforço poderia ter terminado pelo menos mais uma tarefa naquele ano (ou mais um produto para reduzir no inventário).

Não sei qual obrigação vou deixar de lado, nem qual vou focar para terminar em 2023. Talvez até sejam as roupas, mas acho que não. Gostaria de ter mais o que contar e voltar a fazer os balanços mensais de organização da casa, mas o avanço vinha sendo insignificante para ter o que contar. Meus pontos de atenção continuam sendo os mesmos, a bagunça das roupas e dos papéis.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Dicas de uma Jornada Minimalista

Estas dicas que eu pretendo colocar, na verdade é só um reforço do muito que você pode encontrar por aí. Como eu não queria, ou não aceitava rótulos, sempre me orientei por meus instintos, e procurei, na experiência de outros, aquilo que me interessava pontualmente. O que eu de fato aprendi, depois de tantos anos, que a experiência me demonstrou que muitas destas dicas já estavam por aí.

Leia e estude sobre minimalismo. Nem só de Marie Kondo se pode organizar uma casa. Existe todo um processo, de certa forma filosófico, que te prepara para aceitar os conceitos do que pretende viver. Sim, cada um visualiza da sua forma. Aquelas fórmulas batidas dos baldes de triagem sempre são citados, mas as experiências dos outros, apesar de não ter nada a ver com a sua forma de pensar e agir, ou com os seus gostos, no fim, podem ser customizados ao seu gosto para facilitar a sua vida. Não recuse este tipo de material sem conhecer.

Desentulhe a sua Vida. Fazer uma grande limpeza da casa é maravilhoso, mas se não for tirando tudo aquilo que suga as suas energias, não vai ficar satisfeito. Provavelmente quando vir a sua casa mais livre, vai começar a descobrir outras coisas que te limitam, te prendem e sugam a sua vida. Esta jornada não é material, não são só os objetos. 

O minimalismo é apenas um Meio, não um Fim. Isso é algo que eu li em muitos lugares. As pessoas que odeiam ou condenam o minimalismo, enxergam este como um fim, um concurso de quem consegue viver com menos coisas. Mas a maioria das pessoas que aderem a este modo de vida estão atrás de outras coisas: equilibrar as contas e não ter dívidas, se aposentar cedo e viver de renda, simplificar a vida e passar a mais tempo com a família, ter uma vida ecologicamente correta (produzir menos lixo, produtos mais naturais e menos agressivos, e assim vai...). Como cada um associa a sua busca, é a escolha de cada um. Mas o minimalismo é um meio de atingir isso.

Ninguém acorda minimalista. Tem gente que nunca viveu na opulência ou na riqueza e que pode se considerar minimalista, mas apesar das dificuldades, a maioria tem ambições relacionadas a consumo. E é isso que a sociedade tenta te impor. A inveja não é considerada um pecado capital por acaso, é bastante comum (o que não quer dizer que uma pessoa minimalista não sinta inveja!). Mas o desejo por ter, ou consumir não some de repente. Existe um processo, que leva tempo, para você entender e se conscientizar de quais as mudanças de hábitos que serão necessárias. Até lá, você vai agir por tentativa e erro. E vai errar muitas vezes. Vai descartar coisas que vai se arrepender e vai se achar a pessoa organizada até voltar a olhar para o seu trabalho dois anos depois e perceber que estava uma droga. Mas tudo bem. 

Só agora que estou lendo e estudando melhor o assunto, vejo que aprendi muito pouco e estou muito longe de fazer um bom trabalho. Aprendi lições valiosas errando. E ver que superei estas etapas de aprendizado que poderiam ter significado umas 30 páginas me faz ter vergonha,

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Lidar com a Sensação de Perda

Depois de vários dias falando de outros assuntos, preciso voltar a contar sobre hábitos e costumes. Cada um sabe onde aperta o seu calo. Como já disse antes, eu acho mais fácil ter e abrir mão do que nunca ter. É claro que eu não tive uma vida de fartura, mas sempre pude ter algumas coisas por escolha. Um dos motivos que eu prezo tentar uma vida organizada é saber onde as coisas estão quando as precisamos. Não gosto da sensação de passar necessidade ou do vazio que ficou quando me tiram algo. E nem quero falar de roubo, violência ou atitudes de maucaratismo de algumas pessoas que nos são próximas. Estou pensando mais na displicência ou no desapego exagerado que te faz ficar sem, do pouco caso no uso que te faz ter coisas estragadas (ou perecidas) sem ter usado. Isso tudo é o maior desperdício e o que eu mais condeno.
Talvez isto seja algum desarranjo emocional que eu tenha que superar. Este desequilíbrio exagerado não é saudável. Mas a sensação de que algo não está bom é inevitável.
A única solução que eu vislumbro é evitar a perda. Mas não no sentido de fugir. Longe disso. Não se apegar a nada faz com que não tenha importância perder. Mas pode ser uma forma de fuga.
Algumas situações e alguns objetos são marcadamente evidentes para a perda. E é nisso que devemos nos importar em evitar.
Para as perdas, nem sempre é possível fazer a reposição.
Parece tudo um grande contrassenso. Mas não busquei o minimalismo para me libertar do verbo TER. Ainda acho saudável poder escolher o que ter. Gosto de experimentar coisas diferentes e escolher o que me favorece. A pior coisa para mim é não ter opção, independente do preço. Mas vejo motivo para ter pelo ato de ter.
Em menos de um mês vi duas coisas que foram marcantes: a primeira foi ganhar algo que era caro (no sentido de querido) mas ver perder uma peça. Remoí por vários dias até aceitar que poderia viver sem o que perdeu, mas nada consolava a sensação de perda. A segunda coisa que aconteceu algumas semanas depois foi outro presente, que desta vez havia uma foto para orientar a escolha e chegou algo diferente e de qualidade duvidosa. Antes não tivesse escolhido nada e recebesse algo bom. É o tipo de presente que tenho o menor apego em perder, mesmo que tenha sido caro. Mas nem preciso me preocupar com esta situação porque o produto não vai durar.
A reflexão que eu cheguei é que estava tendo muita dificuldade em lidar com a perda porque não quero me privar de nada em prol da preservação de objetos materiais que irremediavelmente se estragam, perdem peças ou nos são levados. E se eu tivesse objetos sem o menor apego e que sei que são fracos e suscetíveis a estes desgastes prematuros poderia usá-los nestas situações de maior risco.
Não pretendo comprar produtos de qualidade duvidosa para dar chance a perdê-los no lugar dos que me são caros. E também não quero me privar de situações em que isso possa acontecer. Mas quero repensar o que eu quero usar, o que eu só vou usar em casa e não empresto e como vou escolher o que usar nas situações em que o risco é maior.
Vamos ver o quanto consigo trabalhar este sentimento no próximo ano.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O que Eu Aprendi Buscando o Consumo Consciente

Estou me sentindo escrevendo textos de auto ajuda. Mas talvez seja isso mesmo que eles são. Vou tentar listar alguns princípios chave de que você só está comprando o necessário e não está adquirindo tranqueiras.

Tenha uma wishlist. Parece ironia, mas é uma forma de você medir o que de fato você quer ou precisa antes de comprar. Eu tive esta ideia por conta da Bárbara do Meu Diário Minimalista. Ela faz um Jejum de Compras e só pode adquirir o que está na lista. No meu caso, não estou fazendo um jejum de compras, mas deixo os itens na lista e vou ruminando para me convencer de que de fato preciso antes de comprar. Desta forma evito comprar por impulso e tenho tempo de transformar a ideia em um objeto de desejo concreto. Quando saio para comprar baseado numa ideia, provavelmente vou comprar algo que não é o que eu preciso.

Visite lojas físicas e online para procurar os itens que estão na lista. Para quem é viciado em compras ou usa as compras como terapia para as angústias da vida parece outra ironia, mas espero te convencer que não. Muitas vezes idealizamos um produto que não existe. Na hora de sair para comprar nem sempre conseguimos escolher o produto idealizado, e por isso em pouco tempo ele se torna tralha. Por isso acho importante pesquisar opções, experimentar, pechinchar preço e avaliar os ganhos de cada opção até escolher. Algumas vezes já sabemos qual é o produto mas o preço não está convidativo. É melhor definir um orçamento para cada aquisição, comparar as opções que estão no orçamento e só gastar o planejado ou menos. Muitas vezes fico esperando uma promoção. Outras vezes me convenço que prefiro não comprar do que pagar mais caro ou comprar uma alternativa dentro do orçamento mas que não satisfaz a minha ambição.

Veja a opinião de outras pessoas mas nunca leve alguém que não vai usar o produto para ajudar a escolher. A outra pessoa sempre vai tentar te induzir baseado no que é ideal para ela. Muitas vezes é melhor a opinião de um desconhecido. Veja a opinião de quem comprou em sites online e procure no Reclame Aqui. Vídeos no Youtube e opinião de Influencers são sempre tendenciosas. Não são as melhores. A não ser que seja uma opinião negativa. Essas são as que ajudam a escolher.

Saiba tudo o que você tem. É outra coisa que um acumulador não consegue fazer. E o motivo de eu preferir adotar um modo de vida mais minimalista. Existem situações em que não há tempo para procurar o produto e existem produtos cuja falta é bastante catastrófica. Para estes produtos é preciso um cuidado especial para comprar. Não adianta ter em estoque e quando pegar para usar estar vencido e nem comprar em cima da hora a qualquer preço. Por isso foi importante entender as formas de consumo para fazer o planejamento correto com a periodicidade de compra e consumo. Outra coisa que acontece recorrentemente é eu precisar de algo, sair para comprar e descobrir que eu já tinha em casa mas estava guardado num lugar diferente que eu não achei. Eu dei o exemplo do acumulador, mas na verdade tudo depende do espaço que você tem disponível. Não acho que todo mundo tem que preferir viver numa quitinete ou num conjugado, mas é importante se acostumar e armazenar os produtos de acordo com os espaços que tem para conseguir saber tudo o que você tem mesmo num ambiente enorme.

Só compre itens de substituição. Mas atenção, é pra substituir só o que deu certo, o que você gostou e o que você vai sentir muita falta se não tiver à disposição. Eu fico esperando as coisas acabarem para poder substituir, mas nem tudo acaba. Se o item não funciona, não dá certo ou eu não gosto, preciso me desfazer. E este item não precisa de substituição. Para as outras situações, não adianta ter estoque. É importante saber o momento certo de substituir e o que substituir senão acabamos com mais produtos do que precisamos e não estão sendo usados. Depois que diminuímos a quantidade de itens ao ideal de si, a substituição se torna mais trivial.

Estou me orientando neste cinco princípios desde o começo do ano. Não descobri todos juntos, foram aparecendo um de cada vez. Também não estão na sequência ideal, mas na sequência que funciona pra mim. E não quer dizer que vai funcionar para todo mundo da mesma forma que funcionou pra mim.