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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Simplificando a Minha Vida

Todo dia, o dia inteiro, ainda fico pensando o que eu posso simplificar na minha vida. Carrego listas de coisas que eu quero fazer para no futuro não me preocupar de fazer mais. E gasto um tempo pensando no que eu posso fazer para ter menos preocupação. Faz muito tempo que eu não tenho um momento de tédio. O que eu mais tenho é ansiedade de não saber por onde eu começo e o que eu posso fazer e terminar da minha lista sempre que tenho uns minutinhos livres. Mas tenho muito pouco tempo livre. E o meu objetivo com estas listas é ter cada vez mais tempo livre. Então por que demora tanto?
Digamos que eu estou vivendo um momento da minha vida não muito propício para ter tempo para alguma coisa. Minha filha mais velha tem muitos compromissos e interesses e precisa ainda de muita atenção para cumprir todas as suas obrigações. A mais nova ainda é um bebê e precisa de constante cuidado, além de supervisão em tudo o que faz. Eu trabalho em jornada de 40 horas semanais, o que até que não é muito. Mas meu marido viaja constantemente fazendo jornadas estendidas apesar de ser muito presente e participar com toda o rotina da casa. E depois de muito conversar, optamos por dispensar auxílio externo para a faxina da casa. Então, digamos que para ter tempo, eu abri mão de quaisquer compromissos durante a semana e dificilmente viajamos aos finais de semana, apenas feriados.
Durante a semana, tento manter a casa em ordem, não deixando as coisas acumularem pelos cantos. Das tarefas da casa, apenas lavar a louça, tirar o lixo e vez por outra repor o que está faltando (leite e pão) e preparar algo para o jantar se não tiver mais nada. Mas no fim de semana, temos que fazer almoço em casa, fazer supermercado, lavar e passar a roupa, guardar tudo o que sobrou pelos cantos, limpar a casa. É muita coisa.
Durante a semana, a mais velha tem tarefa da escola para fazer todos os dias, então as outras coisas que quer fazer, só permito no fim de semana. Então sempre tem uma lista de coisas que ela quer fazer que só temos o fim de semana para realizar.
Do combinado da família, consigo ter cerca de uma hora a uma hora e meia, até duas vezes na semana, para fazer o que eu quiser. E geralmente eu uso para as minhas faxinas. E não tem sido suficiente, principalmente porque tenho ficado sem esse período por semanas. As atividades mais simples da semana eu acabo atrasando, e quando tenho um tempinho, priorizo terminar só o que é essencial. Eu calculo que vou precisar de quase dois anos, só para livrar a lista, mas ainda tenho coisa até para fazer, mas não listei em lugar algum.
Também tento usar um pouco de tempo no fim de semana e parte das férias. A natureza destas tarefas, são cuidar da roupa, limpar os armários por dentro, separar e organizar livros, cuidar das costuras, pequenas reparos, aquelas lavagens especiais que não dá pra fazer com crianças por perto, e até assistir os meus vídeos e terminar de ler um livro.
Vim mostrar o tipo de lista que eu carrego, para ter noção no tanto de coisa que venho trabalhando. Sempre consigo cortar um ou dois itens em uma semana e acabo colocando outra coisa em substituição. Em alguns momentos até consigo terminar com uma linha, mas logo surge outra para substituir. A lista já esteve menor, mas já esteve maior também. Eu cortei a parte do papel que estava em branco. Não estou usando mais todo o espaço livre com anotações, mas ainda têm algumas anotações que estão no verso.
E espero em algum momento não precisar mais carregar listas com coisas para fazer.
Costumava passar a lista a limpo toda semana, mas percebi que já não cortava muita coisa. Agora estou fazendo lista mensal. E continuo cortando pouca coisa. Só economizo mais papel e caneta (que eu não preciso economizar exatamente).

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Mudando de Vida

Não interpretem mal. Não, eu não estou me mudando. É só uma reflexão sobre as mudanças de vida.
Quando eu comecei a publicar sobre a minha vida, eu só queria ter alguns registros das minhas leituras. Foi um momento da minha vida que eu queria ler tudo que eu visse pela frente. E apesar de eu continuar amando ler, mudei muito a maneira com que eu faço as minhas leituras. Neste momento, a escolha das minhas leituras é no sentido de desobstruir as minhas obrigações, sejam as listas de leitura, sejam os livros que eu não pretendo reler um dia e estão parados na minha estante. E estou longe de me livrar desta preocupação.
No segundo momento, eu comecei a tentar acumular as experiências que eu julgava apropriadas. E quase tudo que eu publiquei estava relacionado a metas e coisas que eu queria fazer e cumprir e marcar como minha. Este foi um período intermediário e necessário para a etapa seguinte. Foi um período de ponderação se era o momento certo para partir para outro objetivo. E eu sentia a necessidade de dar por encerrado o período anterior. Eu percebi que essa mudança estava acontecendo quando eu comecei as minhas metas de leituras mas também coloquei outras metas. Também entrei em outros desafios que foram neste sentido.
E o terceiro momento, de tentar simplificar a minha vida, é um pouco mais perto do que eu poderia dizer como o momento atual. Ainda carrego muita coisa que não consegui me libertar da fase das leituras e da fase das metas. Posso dizer que entrei no minimalismo, tentei tirar coisas da minha vida, mudei alguns hábitos e agora estou trabalhando para ter mais tempo livre. Por isso, prefiro dizer que estou tentando simplificar a minha vida. Mas eu vou falar melhor da combinação num outro momento.
Para agora, o que eu fiquei curiosa foi como esta mudança acontece na vida das pessoas. Na maioria vi esta mudança ser despertada pela maternidade/paternidade. Na busca de ter mais tempo com a família e se ver menos sufocado nas atividades de rotina e continuar tendo tempo para si. Vi muitos adotarem estilos de vida para recorrer a outras formas de renda sem depender de um emprego formal, aqui aparecem os digital influensers, coaches, personal alguma coisa, artesão, consultor, free lance... Nada contra estas carreiras, acho que há espaço para tudo, principalmente para quem tem o dom para isso. Mas me espanta a forma como estes tipos de ocupação profissional só apareceu na vida destas pessoas como forma a recorrer num momento em que era necessário ter mais tempo. Algumas vezes nem é por trabalhar menos horas, mas por poder fazer o seu horário de forma mais flexível. Outras vezes é para poder se fazer mais presente em casa sem tantas viagens. 
Não vou mentir que eu não gostaria de ter uma ocupação que me proporcionasse mais tempo em casa e mais tempo fazendo as minhas coisas. E fazer destas preocupações a minha ocupação, melhor ainda. Mas ainda não consigo encarar isso como meio de vida. Tenho a impressão que esta onda vai passar. E eu teria que voltar a batalhar por outro meio de vida depois de uns poucos anos. Apesar de muitos serem contra a reforma da previdência e da CLT, abrir esta possibilidade de outras formas de contrato de trabalho, mais flexíveis, mesmo que seja necessário se aposentar mais tarde, de preferência com possibilidade de reversão seria muito mais proveitoso do que a perda de tantos profissionais qualificados para outras funções menos especializadas apenas por conta da flexibilidade de tempo. E isso é o que mais pesa na minha decisão. Eu tenho uma qualificação bem especializada, e faltam profissionais qualificados. Se eu sair desta função para outra, vão colocar uma pessoa menos capaz e a qualidade do serviço prestado vai diminuir. Será que isso é justo? 
Eu acho que mudar é importante, apesar de a maioria das pessoas ter tanta resistência à mudança. A mudança gradual acaba tendo um impacto menor. Mas no meu caso, prefiro estar aberta à possibilidade de mudança e reavaliar a situação de tempos em tempos para encontrar a melhor oportunidade. Talvez um dia eu mude meu meio de vida, mas até agora, sempre percebo que a situação está mais favorável para o meu plano de vida original. E então eu volto a me concentrar nele ao invés de tentar mudar. Quem sabe um dia eu largo tudo...

sábado, 23 de março de 2019

Libertação da Terapia

Não lembro se eu cheguei a comentar sobre a Terapia. Fiz sessões de psicoterapia por anos, acho que quase 10 anos. Mas não se engane, não foi a terapia que equilibrou a minha vida. É muito passivo você aceitar um remédio e comparecer às sessões de terapia para estar melhor. Eu me recusei desde sempre tomar remédio sem um diagnóstico concreto. E a maioria dos desequilíbrios não representam doenças. Por isso não via motivo para entrar no remédio. Mas a terapia eu entendi que poderia me ajudar. E encarei por muitos anos. No começo eu chorava muito, porque não conseguia lidar com os conflitos. Ficava muito insegura pelas críticas que recebia e tinha muito dificuldade de aceitar a loucura dos outros. Ou o prejuízo que eu sofria pela loucura dos outros. E eu aprendi a aceitar. A aceitar que o problema não sou eu e que eu sou normal. Não tenho nenhum distúrbio. Os meus desequilíbrios e o meu estresse é por eu não conseguir me fechar e continuar deixando que tudo a minha volta me sugue.
Mas o mais importante é que eu quis fazer o autoconhecimento. Eu experimentei as experiências que eu achei que deveria viver para resolver que não combinava comigo. Eu comprei e tentar usar produtos que depois eu deixei largado e tive que passar pra frente. E posso garantir que hoje eu sei muito melhor o que sou eu pela minha rotina, pelos meus amigos e pelo que eu faço. E foram as minhas escolhas.
Junto com a terapia, eu li muito, sobre vários assuntos, sobre religião, sobre outras culturas, sobre psicologia e principalmente livros de auto-ajuda e sobre administração. Até romances trouxeram reflexão crítica sobre moral e individualidade. E aos poucos fui entendendo o meu lugar no mundo. Eu descobri que não quero guardar sapato em caixa, que eu não preciso comer salsicha, que eu não saio para dançar e que eu durmo de camisola.
Outro fator importante, é que eu precisava ter amigos com quem conversar que não seja a minha família e nem colegas de trabalho. Amigos que não compartilham o seu dia a dia tão intensamente. E com quem você pode falar de você só por falar. 
Uma outra coisa que ajudou foi ter o meu tempo para mim, para fazer algo por mim e que não soe como obrigação. Geralmente isso são os hobbies. Não é frescura. E não precisa ser mais do que duas horas na semana.
Nesse processo de autoconhecimento, depois que vieram os filhos e eu passei a ter muito pouco tempo, descobri que deveria investir em tudo que estivesse me sugando e tirando o tempo do que eu precisava fazer. E nisso, a opção não foi deixar de trabalhar ou abandonar um casamento, mas descobrir tudo o que eu poderia abrir mão e simplificar. Grande parte do simplificar veio em terminar projetos, terminar com as minhas listas, estabelecer metas e principalmente o minimalismo. E tudo veio vindo aos poucos.
Ano passado eu me vi na situação que, para continuar a fazer terapia eu deveria abrir mão de algum outro compromisso. E por alguns meses eu tentei ver qual seria a melhor forma de conciliar. Mas resolvi que não estava mais valendo a pena. Conversei com a terapeuta e propus interromper o tratamento. Ela já havia me "dado alta" anos atrás, mas eu achei que não aguentaria ficar sem. Tivemos uma conversa franca que eu achei que me arrependeria. Ela propôs que eu tentasse sessões eventuais quando eu sentisse necessidade. Mas depois de 6 meses, eu ainda não tinha sentido necessidade.
Fazendo o imposto de renda, me dei conta que faz 10 meses que não vou a uma sessão de terapia e não senti necessidade. Neste momento da minha vida, a terapia estava sendo mais um sugador do meu tempo. Talvez em outro momento eu volte a procurar, mas por enquanto, estou livre!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O que Eu Tenho Feito do Meu Tempo

Em alguns momentos nas nossas vidas temos tantas coisas para fazer que passamos a cronometrar tudo o que fazemos para tentar encaixar o que está faltando em alguma "janela". Em outros momentos relaxamos e nem vemos o tempo passar.
Eu tenho a mania de subestimar a minha capacidade de fazer coisas. Há poucas semanas, deixei de lado as minhas listas de tarefas porque não estava conseguindo fazer o que estava listado. O porém é que mesmo quando eu tenho tempo, não tenho conseguido fazer o que eu preciso fazer.
Ao que tudo indica, eu estou com tempo. Continuo com umas duas horas entre chegar em casa e começar a rotina para dormir. E eu não sei dizer o que eu tenho feito nestas duas horas. As minhas leituras não estão avançando, as revistas, pouco tenho lido; não tenho feito janta; não tenho me dedicado aos cuidados que eu gostaria de estar tendo; o quebra-cabeças, está parado na mesa que acho muito escuro para fazer nos horários que estou em casa, sem luz natural.
Eu simplesmente não sei como este tempo evapora. Celular? Com certeza. Vídeos no Youtube? Também. Mas e o quê mais?
Mesmo no trabalho, percebo que faço algumas coisas, mas é tão pouco que fico com a sensação que o tempo passou e eu não fiz nada.
Nos fins de semana que não tenho compromissos, pelo menos umas duas horas eu passo lendo e umas duas horas eu gasto em algum projeto. Apesar de eu ter passado um tempo montando o quebra-cabeças, não me dei ao trabalho de cozinhar ou arrumar a casa. A roupa foi lavada, mas não foi guardada. E então tudo começa novamente e eu não diminuí a quantidade de coisas que tenho a fazer.
As minhas metas e os meus projetos me ajudam a passar a maior parte do tempo motivada para estas preocupações. Eu gostaria de já não ter mais estas preocupações para que esse tempo que passou sem que eu perceba seja indiferente. Gostaria de saber que este tempo em que aparentemente não fiz nada, eu estava relaxando, curtindo a família ou simplesmente fazendo alguma coisa inesperada. Mas assim como não sei dizer o que eu fiz, sei dizer que não foi isso que eu fiz.
A sensação de que estou falhando comigo mesma me aplaca por vários dias. A satisfação pelo cumprimento das tarefas é tão importante como outras, mas só começo a sentir mais a sua falta quando outras já estão satisfeitas. O ponto é que fazendo uma leve reflexão, penso que as minhas outras satisfações nem estão tão bem assim. E novamente é tudo culpa exclusivamente minha. Não adianta procurar o que me tirou do foco porque fui eu que abri o foco e deixei desfocar. Às vezes isso faz muito bem, não sou uma máquina. Eu só esqueci que já deu e agora eu preciso voltar a focar.
Já estou com novas listas. Estou tentando me programar para não falhar mais daqui em diante. Mas então porque ainda preciso me perdoar por minha falha e aceitar que eu não preciso de uma punição para resgatar o erro e compensar a sensação desoladora?
Não estou buscando respostas ou simplesmente lamentando o tempo que eu perdi. Estou trazendo uma reflexão que se você não parar intencionalmente para descansar da rotina, você vai acabar perdendo a rotina sem querer. Faça suas pausas planejadas para não se ver perdida diante do caos sem saber porquê. Não tem jeito, o corpo cansa, a mente cansa. Fingir que não acontece só vai piorar a sua produtividade. Fazer uma pausa planejada te faz ter muito mais ânimo para voltar a encarar a rotina sem perder o foco.
Tenho sentido a necessidade de estabelecer melhor a minha rotina da manhã e da noite. Vejo que melhorou muito desde que comecei a estabelecer, mas preciso começar a encarar como rotina justamente para não me perder. A rotina da manhã é a que está funcionando melhor, mas a da noite é a que eu faço por mais tempo. Vamos ver se consigo estabelecer meu período de leitura.