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quarta-feira, 10 de maio de 2023

Morte na Praia

 Não lembro se eu já contei aqui sobre a minha experiência de ler todos os livros da Agatha Christie. Demorei muitos anos, mas finalmente terminei em 2018. É claro que a lista completa das obras publicadas é um pouco controversa. Alguns contos foram reunidos em diferentes coletâneas, algumas edições não foram publicadas no Brasil, ou não possuem edição em português e algumas obras foram publicadas sob pseudônimo. Mas na medida do possível, li tudo o que estava disponível, foram mais de 80 edições.

Mas em 2020 eu recebi como brinde no clube O Prazer de Ler uma edição de bolso de Morte na Praia. Era um brinde que eles ofereceram no fim do ano, acho que com a 5 edição do clube.

Morte na Praia não é um dos livros mais famosos da autora, mas ele é muito simbólico no contexto das obras da autora. Poirot está de férias em um hotel, uma espécie de Resort, na Inglaterra. E como é período de férias de verão são muitos os grupos que se encontram nestes pontos turísticos.  É curioso como os desconhecidos se aproximam durante aquele pequeno período de tempo de convívio. Com um dia de tempo ruim todos acabam fofocando entre si. E têm relações do passado que não estão claras entre alguns personagens em que se abre para a possibilidade de que não seja uma coincidência este reencontro. 

O assassinato é de uma atriz. Os acusados podem ser o marido talvez traído, a enteada, a ex-namorada do marido, a esposa do possível amante e outras das pessoas que não está muito claro que não estão envolvida com a vítima ou qualquer dos outros acusados. Mesmo com as entrevistas que são reproduzidas, Poirot faz algumas perguntas que parecem sem sentido, e faz comentários com a equipe de investigação. Na investigação dos fatos, a agilidade é muito importante, mas parece que Poirot se importa muito mais com estas entrevistas. Tem uma questão de uma carta e a água que escorre nos encanamentos sobre se alguém tomou banho ou não.

Como em todo livro de investigação, precisa ler com calma prestando atenção aos detalhes, sabendo que algumas coisas estão lá apenas para tirar a atenção e te confundir. Se julgar necessário, faça as suas anotações para tentar acertar o assassino antes do mistério ser revelado. Mas eu gosto da forma como o próprio Poirot vai resumindo de tempos em tempos e explica todos os fatos no final. 

Uma das coisas mais maravilhosas de todos os livros da Agatha Christie é que mesmo tendo lido o livro anos atrás lembro algumas partes da história mas todo o processo de investigação me confunde a ponto de não ter certeza de quem é o assassino. 

Eu demorei para fazer esta leitura, estava com uma meta de ler uma edição por mês, mas demorei mais de um mês para ler. Juntou um pouco de cansaço nas leituras, o fato de ser uma edição de bolso e o fato de ser uma releitura.

Ainda tenho algumas leituras do clube para fazer, mas já não tenho expectativa de terminar em 2022. 

sexta-feira, 21 de abril de 2023

A Pantera das Neves

Não sei por quê vim adiando as leituras dos livros do clube do livro da L&PM. A maioria deles têm sido uma leitura rápida. A Pantera das Neves, em especial, é um livro bem curto, 160 páginas. Mas não é só isso. Por ser um livro de não-ficção, o relato do autor sobre a experiência de viajar no Tibete para encontrar a Pantera das Neves é muito parecido com um diário de viagem. Mas sem as datas.

Apesar de ser reflexivo e o autor divagar, não existe um fluxo de pensamentos, é até bem conciso. As outras resenhas que li descreveram este livro como sendo uma história de paciência. Mas é curioso pensar que alguém, especializado em fotografar animais em seu habitat natural, tenha que se embrenhar em barracas na neve com temperaturas de -30 graus, de preferência à noite (ao anoitecer, ou ao amanhecer) para procurar pelos animais de hábitos noturnos; por livre e espontânea vontade. 

A jornada para achar a pantera das neves, além de muita privação, e muito frio, horas de silêncio apenas observando, sem poder se mexer, ou mesmo acender uma fogueira também é muito rica. Para pessoas contemplativas. Porque além das aves, foi possível observar texugos, iaques, burros, lobos, raposas... Não parecia que fossem tantos os animais em circulação. 

Existe uma razão específica para a busca pela Pantera das neves, além do fato de estar ameaçada de extinção.

Durante parte do período da expedição o grupo se aloja em cavernas. Em outro momento acampam junto com pastores de iaques em locais remotos do Tibete. Na maior parte do tempo estão por conta própria, junto à natureza selvagem, tendo neve por todos os lados.

Enfim, uma leitura rápida em alguns termos. Pouco narrativa, muito mais descritiva ou reflexiva do que propriamente narrativa.

E eu esqueci que a foto deveria ser com o fone de ouvido em cima... Que nem os outros.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Nietzsche no Paraguai

 

Então mais um livro que eu recebi no clube O Prazer de Ler e duas coisas me chamaram a atenção: a capa e o fato de se passar no Paraguai. A capa é linda. Mas eu não lembro de ter lido algum romance que se passe no Paraguai.

Quando iniciei a leitura outras coisas me chamaram a atenção, o Nietzsche do título é o famoso filósofo, na verdade sua irmã que troca cartas com ele. O período em que se passa a narrativa é pouco depois da Guerra do Paraguai. E a presença dos alemães na América Latina um pouco antes das imigrações para o Brasil está relacionado a uma nova forma de colonização para a purificação da raça, isolada da presença semita.

Assunto pesado, né? Agora imagina que isso está no meio da selva, passando por trechos ocupados por tribos de índios selvagens (considerados canibais). É difícil escolher quem são os bandidos e quem são os mocinhos.

O começo é um pouco confuso, "foi extraído" de páginas de um diário de uma expedição que partiu para a selva, na Bolívia, para procurar um antigo militar, considerado criminoso. Mas a expedição vai se desfazendo aos poucos até ser encontrada por alguns dos colonos de Nova Germânia. Mas esta colônia alemã no Paraguai não tem como objetivo colonizar os índios e domesticá-los. Os moradores devem seguir algumas regras restritivas como não se alimentar com produtos de origem animal e não podem utilizar dinheiro, todas as trocas devem ser feitas no mercado local mediante trabalho realizado para a comunidade. É uma forma de escravidão. 

O fundador da colônia, o alemão Foster, casado com a irmã de Nietzsche, é um idealista, e controla sua comunidade de acordo com suas ideias. Mas ninguém conhece todas estas ideias.

Sem contar muito mais da história, o começo foi um pouco travado, mas depois avancei bem e li rápido.

Sugiro um pouco de cuidado com esta leitura, mas recomendo.

domingo, 12 de março de 2023

A Claridade Lá Fora

 Eis que durante a quarentena eu achei que deveria me arriscar a assinar um clube de leitura. A oferta mais barata que apareceu foi da editora L&PM por 39,90 mais 10,00 de frete, só lançamentos da editora e 35% de desconto em outros livros do catálogo. Como demorei muito para ler e contar, não preciso me preocupar com ser propaganda ou não porque o clube foi extinto. A editora preferiu descontinuar o serviço e encerrou a cobrança dos assinantes.


O primeiro título que recebi foi A Claridade Lá Fora, da Martha Medeiros. Não sou muito entusiasta de ler coletânea de contos ou de crônicas que é o que a Martha Medeiros geralmente publica, mas este é um romance.

Eu demorei um pouco para entender o enredo. A personagem principal é uma pessoa difícil, cheia de hábitos e que não gosta muito de conviver socialmente. Trabalha de casa com tradução de materiais em francês principalmente, mora com o marido com quem tem uma rotina bem restritiva e o único desequilíbrio é a presença eventual do neto e a presença constante da ajudante de limpeza que é uma pessoa barulhenta.

Eis que uma necessidade de tratamento de saúde obriga o casal a passar um tempo no apartamento de Porto Alegre e a viagem da filha faz com que esta senhora tenha que receber o neto para uma temporada em Porto Alegre durante o período letivo. E entre lembranças da juventude e a convivência forçada com outras pessoas, inclusive uma nova vizinha, vão mudando o jeito de ser desta senhora. 

Foi uma leitura bem rápida. A escrita da Martha Medeiros é bem estruturada e vamos compreendendo os personagens aos poucos. A autora coloca alguns pontos bem interessantes no dia a dia desta família: bullying, astrologia, maternidade solo, entre outros.

Sobre a escolha deste título para o primeiro do clube, eu estava decepcionada. Jamais escolheria este tipo de livro para ler, se visse numa livraria sequer me daria ao trabalho de ler a sinopse. Quase me arrependi da escolha. Por ser uma editora de Porto Alegre, Martha Medeiros é uma autora conhecida do público local então deve ter parecido uma escolha segura.

Do meu ponto de vista ainda cabem algumas considerações. Sendo o clube uma escolha surpresa para leitura, certamente eu fui surpreendida e não teria lido se fosse de outra forma. E como eu gostei razoavelmente, entendo que foi uma ótima opção. Mas como disse, o clube foi descontinuado, tanto faz dizer se a escolha foi acertada ou não.

Para quem não gosta muito de crônicas e está sendo um pouco preconceituoso, como eu estava sobre este livro, aviso que foi uma leitura interessante e surpreendente. E sim, eu gostei. Não chega a ser uma leitura que eu pretendo refazer daqui a algum tempo, mas me fez ficar pregada no livro do começo ao fim e li de um dia para o outro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Como Evitar Preocupações e Começar a Viver

 Este é outro livro que representa mais do que um passatempo, um esforço para tentar me apegar às coisas realmente importantes e me afastar de todo o ruído que me atrapalha. Eu comecei lendo sobre minimalismo, mas os materiais sobre o assunto se debruçam sobre os aspectos tangíveis. Objetos, coisas que obstruem sua vida. Mas hoje sinto a necessidade (e já comentei aqui sobre algumas obrigações que ocupam a minha mente quando discuto sobre metas) de também me libertar de sentimentos e obrigações que competem pelo meu tempo e limitam a minha felicidade. É uma jornada mais complicada, mas percebo que tenho avançado neste sentido nos últimos anos. 

Logo no começo do livro tem uma lista do que se espera do livro e coincide em grande parte com as minhas expectativas. Que a leitura seja proveitosa e me traga pontos de vista não explorados. E no final tem muitos estudos de caso para reforçar o aprendizado com um ponto de vista mais prático. Didaticamente bem construído. Também como instrução para a leitura, e livros traz 9 passos para completar o aprendizado e mudar sua vida, e uma das coisas que cita é a releitura do livro todo mês. Não penso em fazer isso, mas com certeza terei maior compreensão numa segunda ou terceira leitura do que na primeira, quando não estou preparada para aplicar conceitos "totalmente" novos.

A primeira lição trata de exemplos de superação focando no tempo presente. É importante se preparar para o futuro, mas ele não deve inquietar a ponto de atrapalhar o presente. Desta forma, muitas vezes resolvendo uma coisa de cada vez, conforme se consegue ir resolvendo, a tendência é diminuir as preocupações. E é o que eu venho tentando fazer, sem muito sucesso.
No capítulo seguinte, reforça que muitas doenças, principalmente doenças "mentais" tem por trás preocupações. E conseguir isolar estas preocupações não há o que ser tratado. E a maior parte da população está direta ou indiretamente afetada por algum tipo de doença em decorrência de preocupações.
A partir do capítulo 4, o autor começa a exemplificar técnicas de solução de problemas, assunto com vasta literatura e momento "shame on me" já que boa parte do meu trabalho é utilizar destas técnicas para apoio na tomada de decisão. E a sugestão do autor é usar isso para qualquer preocupação, de qualquer natureza. Desde que alivie a pressão e permita eliminar a preocupação, é melhor do que perder o sono. Para quem não tem formação na área, e não atua com isso de forma profissional, as informações e os exemplos são suficientemente superficiais para serem adotados para leigos. Mas se realmente gosta do assunto, existem literaturas mais técnicas que incluem análise de custo, de risco e a medição de impactos através de indicadores quantitativos. Não é o objetivo deste livro entrar nestes aspectos, mas acho importante ressaltar que são técnicas antigas, testadas e muito aplicadas, com um nível de confiabilidade excelente.
E uma das alternativas para evitar preocupações é manter-se ocupado, focar em algum tipo de trabalho ou projeto. Cita como exemplo os cientistas que vivem envolvidos com suas pesquisas e não percebem nada a sua volta que possa os preocupar. Mas no meu caso, é o contrário, eu quero eliminar o ruído que fica em volta me tirando do foco. E a esperança era ter menos coisa com que me preocupar para passar mais tempo fazendo o que quero, ou o que eu gosto. Não sei como isso pode me ajudar.
Outra forma de se livrar de preocupações é avaliar estatisticamente. Quem não está acostumado pode ter dificuldade de se sentir confiante diante da baixa probabilidade. Mas mesmo quem entende bem de estatística pode ter dificuldade de lidar com o aceitável. É um processo de se acostumar e aceitar alguns limites. Desta forma você consegue afastar os mosquitinhos que incomodam, aquelas coisas irrelevantes.
Também oferece como opção aceitar o que é inevitável e não perder tempo com preocupações que não pode resolver, deixando-as se resolverem sozinhas.

É curioso como a leitura isolada deste livro traz mais complexidade do que uma leitura organizada em passos, considerando o conhecimento e experiência pregressa à leitura. O que eu me preocupava era a parte das preocupações, e as técnicas para lidar com elas, conteúdo da parte anterior. A parte seguinte é sobre as atitudes que podem contribuir para evitar preocupações. Um dos que me marcou é a ingratidão. Não esperar gratidão é uma forma de não se preocupar (assim como a culpa e a obrigação de retribuir, compensar ou pagar de volta). Outro princípio que me marcou foi ocupar-se dos outros para não ficar preocupando-se com si. É um pouco como manter-se ocupado para não ficar criando problemas.

Não vou me estender nos próximos capítulos, primeiro porque não consegui absorver muito sobre eles e pretendo ler de novo ano que vem, mas também porque é importante não resumir todo o livro.
Enfim, a parte seguinte continua falando sobre evitar preocupações e coloca o exemplo da fé. E tem mais uma parte, que fala um pouco de autoconhecimento, que permite que você não tenha preocupações. Acho que funciona dentro de um conjunto de aprendizados e que pode me acrescentar mais depois de ter realizado outras leituras.

A parte final são breve relatos de pessoas que se beneficiaram de alguns destes princípios e tiveram a vida salva de um mal iminente aprendendo a evitar preocupações. Nunca um título de livro pareceu tão literal.

Espero que aproveitem a leitura e procurem outros materiais sobre o assunto.

domingo, 15 de maio de 2022

Crianças Aprendem o que elas Vivenciam

 Como muitos dos livros que eu leio não guardo para ler de novo, principalmente os livros de não ficção, em especial os de auto-ajuda, sinto a necessidade de guardar anotações sobre o que eu penso deles enquanto estou lendo. 

Este tipo de leitura também requer um tempo de reflexão entre um capítulo e outro. Então mesmo que seja pouco mais de 100 páginas, acho importante ler um pouco por dia e demorar 20 a 30 dias para finalizar a leitura. 

Geralmente fazia as anotações em um caderno, mas pouco tenho utilizado disso, mais para anotar citações que gostaria de ler de novo. Então vou fazer estas anotações aqui, parecido com as que faço para as revistas que leio.

Este não é um blog de maternidade, mas a maternidade me abriu uma série de sentimentos novos. Vejo comentários sobre alguns livros que as pessoas não conseguem se ver no lugar da mãe, não se apegam aos personagens. E isso é tipicamente o comportamento de pessoas que não tem filhos, adolescentes ou jovens adultos que optaram conscientemente por não ter filhos. Essa capacidade de se colocar no lugar da mãe e da criança numa obra de ficção e tentar entender os sentimentos de cada um dos personagens, você só consegue entender depois de viver a experiência da maternidade/paternidade (o que não quer dizer colocar um filho no mundo, tá?! Tem muita mãe e pai por aí que não viveu a experiência).

Felizmente sempre fomos adeptos de buscar a felicidades dos filhos sem entregar tudo para eles. Garantindo que saibam tomar as melhores decisões, tenham uma boa compreensão do mundo e se sintam livres para serem o que são. Então, a minha expectativa com este livro estava apenas nas situações que ainda não achamos uma maneira boa de lidar.

Resumindo o livro, a autora divulgou um poema que escreveu cujo título do poema se tornou o título deste livro. Ao longo do tempo, algumas pessoas, ávidas a disseminar o que é bom, distorceram o que a autora trabalha nos cursos de pais que oferecem (o tipo de coisa deveria estar associado a serviço social, mas que no Brasil só existe em algumas igrejas dentro da escola dominical, focado apenas na moral). E cada capítulo do livro trabalha com um verso deste poema, explicando melhor o que a autora gostaria de passar com cada verso.

Acho que um dos conceitos principais é o respeito à criança. Não precisa tratar a criança como um adulto, mas é importante fazer com que ela se sinta notada e participe das decisões que a afetam (mesmo que seja decidir o que vai comer).
Outro aspecto que não damos importância é o nosso medo. Mesmo que seja o medo racional de perder a vida, perder as pessoas queridas, perder a criança, quanto menos a criança perceber esse medo, menor a chance de ela ter seus próprios medos. E não ser ridicularizada por seus medos, mas encontrar meios que ela se sinta segura diante das situações amedrontadoras. Tenho vivência de um pai medroso e uma filha medrosa. Então pude exercitar os dois lados. O pior é que a mesma filha medrosa, também é tímida. Então requer um cuidado muito grande para fazer ela se socializar. Ela precisa de muita ajuda para se adaptar à vida em sociedade.
Também debatemos um aspecto relevante que temos em casa sobre a gratidão. Meu marido sente a necessidade de ser valorizado por seu esforço para a família e sente que as crianças não reconhecem e não são gratas. Estamos tentando uma nova abordagem, sugerida pelo livro de sempre reforçar na entrega que ela representa um esforço para tentar tocar o coração delas.
Outro aspecto que precisamos trabalhar com a mais velha é a questão da culpa. Ela sente muita necessidade de pedir desculpas quando alguém a corrige, e sofre com isso. Mas não percebemos nela o esforço para tentar não errar. E isso não é bom. Estamos tentando entender como podemos aliviar essa "culpa" e de onde ela vem para encontrar outra maneira de lidar com as correções, já que ela precisa ser orientada e corrigida diante de suas falhas.
Em seguida tem capítulos sobre medo, sobre paciência, confiança, elogio, aceitação. O grande medo da maioria dos pais, é tornar as crianças mimadas, ao tentar ensinar a ter amor próprio. Criança é muito dependente de carinho. E dar carinho não quer dizer fazer todas as vontades. Achar este equilíbrio tem sido o grande dilema dos pais. Mas em muitos casos, o que precisa é ouvir e orientar, dar atenção, incentivar para que as crianças encontrem a melhor solução. E sintam a importância do seu papel na família, fazendo parte das decisões tomadas.
Os capítulos finais, talvez sejam voltados para sentimentos que não costumamos nos preocupar muito, mas refletindo um pouco, acredito que seja possível garantir também mais este aprendizado. Falam sobre bondade, segurança, generosidade, reconhecimento, sinceridade e senso de justiça. O problema da mentira é um ponto bem polêmico. Acho que não tem criança que não passe por esta fase de mentir ou omitir para não levar bronca. E a postura dos pais é determinante para desenvolver um mentiroso compulsivo e a quebra de confiança. No dia que você perde a confiança, também perde a capacidade de educar e influenciar positivamente esta criança. Tivemos alguns problemas com o senso de justiça. Cada vez que "as regras" mudavam ao longo do jogo, a criança se sentia traída e se recusava a participar. Foi expulsa de jogos, brincadeiras e até colocada para fora da sala por contestar a autoridade que agia injustamente. E mesmo entendendo o lado da criança e do adulto, não foi fácil que ela entendesse que às vezes a justiça não está em cumprir "as regras", mas em fazer o que será melhor para o grupo. Para eles só existe o certo e o errado, então descumprir um combinado é errado.
Outra coisa que eu me esforço bastante para ensinar é a empatia. Boa parte dos conflitos que as crianças passam, principalmente fora de casa, onde os pais não estão por perto para resolver, ou não podem se intrometer, podem ser resolvidos com a empatia. Procuro sempre pedir para tentar entender o outro lado do conflito e estimular que se posicione diante da situação dentro do contexto da personalidade do outro. E desta forma é mais fácil aceitar o resultado do conflito e imaginar outras soluções. Mesmo que nem tudo fique resolvido, em muitos casos melhora a convivência.
O livro é bem curto e tem muitos exemplos de meia página. Ninguém largaria uma situação para correr para ler e depois resolver o que fazer. Acho que a leitura pode ser uma inspiração para tentar ter o discernimento para tomar a melhor atitude, quando necessário. Intuitivamente sei que escolhi atitudes que inclusive me surpreendem. E este tipo de livro é uma forma de você ter algum "conhecimento" que te ajude a ter a melhor atitude "intuitivamente" quando necessário.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Experiência de Leitura: "A Mágica da Arrumação"

Pretendia ler esse livro para saber se era isso tudo o que diziam. Não consigo compreender o suficiente sobre o "Isso te traz Alegria" com os objetos embora sinta que os objetos sempre voltam, como ela diz. Esperava uma resposta mágica que despertaria com a leitura. Ainda não achei.
No começo, repete várias vezes a importância de não organizar por cômodos, mas por tipo e meio que já era o que eu fazia. Veja que eu falo roupas da Ágata ou livros infantis, ou materiais de escritório ou até mesmo papéis. Quando organizei os produtos de higiene e beleza, de cara comentei sobre recolher de outros cômodos e tentar fazer caber tudo num mesmo lugar. Outro conselho importante é sobre o que entra. Se você já tem a quantidade e variedade de objetos daquele tipo, você não vai ter vontade de procurar para comprar. E se comprou algo que não precisava provavelmente o que tinha "não te traz alegria".
Minha grande dificuldade é aceitar o descarte como solução. E mais pra frente, ela até coloca sobre os excessos de produtos de uso comum com que eu me identifiquei bastante. Provavelmente estou me enganando e nunca estarei satisfeita, mas o descarte me parece imaturo e preguiçoso. Se você descarta, gera lixo e muitas vezes volta a comprar. Eu acho importante ter a sensação de satisfação por ter feito um bom uso ou dar para uma pessoa que realmente se importa com o objeto. Claro que jogo muita coisa fora. E alguns aproveitamentos que faço são apenas para satisfação pessoal. Por isso ainda não acredito no simples descarte.
Sobre as roupas, fiquei curiosa com as dobras das meias que eu ainda quero experimentar se ocupam menos espaço. Por enquanto, ainda faço as bolotas.
Já a parte seguinte, sobre livros, eu tenho as minhas próprias convicções. E justamente por isso estou trabalhando fortemente com metas para reduzir o meu total de livros e principalmente ler os meus livros. Como estou indo bem, não pretendo mudar. Ainda sobre livros, o meu ponto de vista é muito diferente. Jamais cogitaria riscar livros ou rasgar as páginas para guardar. Tenho alguns cadernos com algumas anotações de livros que não pretendo reler e para mim, é suficiente. Já não faço questão de ter anotações para todos os livros que leio como cheguei a fazer tempos atrás. A maioria dos meus livros, depois de ler, disponibilizo para troca e algumas vezes doo. O excesso é porque tenho lido devagar. Gosto de pegar livros emprestados também.
O quarto grupo, a papelada não é muito diferente do que eu faço, mas o que eu acumulo, muitas vezes são papéis de rascunho. Aprendi a reaproveitar muito e acabo guardando coisas demais. Tenho tentado diminuir ainda assim.
E o último grupo: komono é onde se enquadra hobbies, objetos de cozinha, enfeites e etc. Ainda tenho muito trabalho pela frente nesta categoria. Por enquanto, mal olhei para ela. Mas pretendo diminuir os meus esforços nos outros grupos para vir para este.

A segunda parte do livro é uma espécie de guia de boas práticas. Acredito que seria muito parecido com o que vão mostrar na série. Uma espécie de: De tudo o que você viu até hoje, o que gostaria de destacar? Eu tiro meu chapéu em como ela fez parecer tão simples. Tudo bem que ela começou a trabalhar nisso ainda muito nova. Mas estou muito longe de onde eu gostaria estar. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Pseudônimo Mr. Queen

Assim como a maioria dos livros que tenho lido este ano, é difícil saber por onde começar ou o que contar. Já faz uns dias que eu terminei de ler mas não estava conseguindo escrever.

Eu recebi o livro através da autora que entrou em contato procurando leitores que possam ajudar na divulgação e com isso publicar a obra através de alguma editora. Este book tour já está rolando faz um tempo. As edições de teste já estão gastas, mas o trabalho editorial não deixa a desejar para nenhuma obra das editoras. Recebi de um leitor e enviei para outro. Só tenho a agradecer a oportunidade de conhecer o livro. 

Este livro conta uma história que começa no fim do mundo, ou no dia que o mundo deveria acabar: 21 de dezembro de 2012. Curiosamente, é este o dia do aniversário da Regina, personagem que começa a narrar o livro. Apesar de muitos não acreditarem na possibilidade do fim do mundo, receberam instruções através de sonhos de que seriam então duas vidas, uma até os 70 anos e depois dos 20 aos 100, totalizando então 150 anos. Não possibilidade de morte prematura. Então o que muda nas pessoas diante da certeza da morte com hora marcada? 
Tem mais outra coisa, nem todos sobreviveram. Apenas alguns foram escolhidos para permanecerem vivos. Então o que tornou possível continuar? Vejam que são muitas as perguntas que nos fazem refletir.
A Regina é um exemplo da primeira geração: os sobreviventes que reaprenderam a viver. Os únicos capazes de lembrar de como era a vida antes de 2012. E ela faz parte de um grupo que precisa manter o segredo da vida (ou da morte). A segunda geração, representada pela neta de Regina: Larissa, cresceu neste novo mundo que não conhece dinheiro nem doenças e passa a conviver com a classificação utilizada: o TUV. A história ainda avança até a terceira geração: Vitória, filha de Larissa, que por sua vez está tão distante de tudo o que existia antes que está completamente adaptada ao modo de vida.
Esse TUV ainda tem um fator interessante e bem curioso: o Hapiness Book. Sim, algo semelhante a isso que você está pensando. E eu acho que retrata bem o que estamos vivendo.

Não vou tentar resumir a história porque seriam necessárias ainda mais explicações, o que deixaria o texto longo e cansativo. Se for de interesse, procure a sinopse divulgada ou outras resenhas. Também são muitos os personagens que poderiam ser apresentados em diferentes momentos.
A narrativa é bem escrita. Alguns momentos são mais cansativos e senti falta de algumas explicações, mas é bastante coerente. O conteúdo que é um pouco denso. O universo que a autora trabalhou de uma sociedade mais igualitária e as suas artimanhas poderia ser ainda mais explorado caso imagine uma continuação ou algo do tipo. 
Os personagens tomam condutas muito diferentes e interpretam as respostas para aquelas perguntas que fiz livremente. E isso foi bastante rico. 
Ah, e Mr. Queen é o pseudônimo utilizado por um dos personagens que apenas lendo a história é possível entender a sua relevância.

Loraine, obrigada pela oportunidade de conhecer a sua obra. Espero que tenha sucesso na publicação.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ensaio sobre a Cegueira

Eu havia deixado um quadro de votação para a próxima resenha dentre as leituras que eu tinha listado. Mas eu comecei a repensar o que estava fazendo e não estava pensando em continuar usando o quadro de votação. Então peguei a minha lista de livros e organizei na forma de leituras por mês. Acabou que o livro que foi mais votado foi o que eu deixei por último. Como eu mantinha o propósito de comentar sobre o livro mais votado, agora que terminei não poderia deixar de vir contar.
Ainda estou devendo uma resenha do primeiro livro que coloquei em votação. Tenho bastante material escrito mas não está finalizado. A proposta é continuar disponibilizando o quadro de votação com o que já está na minha lista de leitura e mesmo lendo todos, só vou comentar sobre os que forem votados ou os que eu julgar necessário.
Confesso que eu tinha uma apreensão em relação a este livro. Achei que seria uma leitura difícil e por isso reservei dois meses para a leitura. Eu já li um livro do autor, mas esperava algo bem diferente. Felizmente foi uma leitura até que rápida, fiz em cerca de uma semana. E me arrependi de ter demorado tanto tempo para ler.
Ensaio sobre a Cegueira conta um episódio de um homem que simplesmente cegou enquanto aguardava o sinal abrir. Só que tem duas coisas estranhas nesta cegueira: a primeira é que é uma cegueira branca, ao invés de ver tudo escuro como se tivessem apagado a luz, o cego enxerga tudo branco, como se estivesse ofuscado pelo excesso de luz. E a segunda coisa estranha nesta cegueira é que é uma doença altamente contagiosa. Mas que por algum motivo algumas pessoas não se contaminam.
O primeiro cego, após ser examinado por um médico, volta para casa. Este médico, intrigado com esta nova doença, fica estudando e acaba também cego, sem descobrir nada sobre a doença. Ao contatar as autoridades, estas os colocam em quarentena, mas pelo risco de contágio, ninguém fica exatamente perto. O resultado é que a epidemia continua se expandindo de uma forma alarmante.
Será que as cidades estão preparadas para uma população de cegos? Claro que não, tudo foi adaptado para socializar o cego, mas não para permitir a co-existência de cegos sem qualquer auxílio. E este é o principal conflito de todo o enredo.
Os cegos confinados estão sujeitos a regras e novamente somos levados a repensar os sistemas de gestão (entenda-se como forma de governo). Em alguns momentos não teve como não lembrar de "A Revolução dos Bichos". Mas não tem nada em comum, apenas o tipo de reflexão.
Tentei me colocar no lugar de algum dos personagens, mas é impossível saber como reagiríamos. De uma forma geral, os personagens são bastante realistas, mesmo o ser bom/ser mau não é estereotipado.
De uma forma geral, recomendo fortemente a leitura. Não considero uma leitura difícil em termos de linguagem do autor, mas tive alguma dificuldade em avançar no começo.
Estou um pouco desanimada com a minha lista de leituras pendentes e estou com dificuldades em segui-la. Já liberei um novo quadro de votação que não me ajudou muito. E mesmo esta resenha demorou meses para eu finalizar.
Estou lendo bastante e estou tentando manter as leituras nas minhas listas de metas. Também estou analisando todas as listas pendentes para parar de me impor desafios e simplesmente terminar o máximo de metas pendentes. Então estou voltando para as metas de 2014. Aguardem mudanças para 2018.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Moreninha

Ainda está ali no quadro de votação para escolher opções de leitura, mas eu já li A Moreninha. Curiosamente eu me lembro de ter estudado A Moreninha no colégio mas não precisei ler a obra nem pra escola nem para o vestibular. Então, quando escolhi esta para ser a leitura de outubro, sabia o que eu deveria esperar de Leopoldo, de Felipe, de Augusto e de Carolina. Na verdade, eu li mesmo em novembro. 
Muito encantadores os personagens. Ainda no século 19 temos jovens universitários apostando com os frágeis corações de estudantes secundaristas.
Augusto se autoproclama mulherengo, mas muito honesto deixa às claras sua conduta. Junto com Fabrício discute sobre suas ideias de conquistas, amor, moralidade e honra. Em algum momento mais parece um guia do bon vivant para o amor moderno. Sim, isso ainda no século 19.
Os diálogos de Augusto com a avó de Felipe são como pequenas histórias dentro da história.
Mas neste romance, os amigos combinam de passar o feriado na casa da avó de Felipe e este anuncia que lá terão boas companhias femininas capazes de fazer a cabeça destes rapazes. O mulherengo Augusto e seu aprendiz Fabrício se mostram resistentes e dessa discussão sai o acordo de intenções que resulta neste romance. Mas sabiam eles neste instante que o coração de Fabrício já estava tomado por uma das primas de Felipe.
Os quase 3 dias de feriado de Santa Ana são intensamente vividos por estes jovens e relatados na obra. Mas mesmo depois da partida, o que começou ainda não encontrou seu final. E Augusto se vê coagido a voltar outras vezes para a casa da avó de Felipe.
Tenho certeza de que o livro fez por merecer estar entre os 1001 livros para ler. Também gosto de saber que esta é uma opção de obra para o vestibular já que é uma leitura leve e divertida.
O autor tenta introduzir uma lenda na história que trouxe um ar de sobrenatural. Mas nada fantástico. Ainda cabe melhor como uma história de cotidiano.
Não demorei tanto para ler já que a edição que li tinha quase 100 páginas. Encaixei entre outras leituras mais demoradas e terminei rapidamente. Talvez tenha parecido muito fácil para valer como uma leitura obrigatória e por isso fiquei sem ler na época da escola.
Estou organizando algumas listas de leitura para 2017 e tenho 2 ou 3 clássicos para ler que pretendo realizar em breve. Este ano consegui colocar sempre um dos livros desta lista a cada 3 meses e fiz um bom avanço na minha lista de leitura. Eu vou explicar isso em outro momento, mas a forma de colocar estes livros como prioridade de leitura foi com o quadro de votação. Como parei de atualizar o quadro desde outubro, vou reformular para o ano que vem. Eu realmente não teria atendido as leituras se tivesse as programado para novembro e dezembro. Mas ainda que eu não volte a usar a votação para selecionar a leitura, pretendo manter sempre um livro da lista na minha lista mensal ou não vou atingir as minhas novas/velhas metas.
É um pouco difícil falar sobre estas obras que são tão frequentemente resenhadas e que ainda por cima se tornam de difícil leitura pelo simples fato de ser obrigatória. Tentei focar mais na experiência de leitura e nos sentimentos que tive do que na descrição da história em si. Para isso, sugiro buscar algum tipo de resumo para vestibular.
Não tenho intenção de buscar outros livros destes autor, mas ainda tenho alguns autores brasileiros que pouco li e gostaria de ler mais.
Aproveite para participar das votações que coloco ao lado e indicar destes quais quer saber um pouco mais que todos os livros votados eu volto para escrever sobre eles.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Caçadores de Bruxas

Eu não sei porque eu comprei este box com os livros do Raphael Draccon, creio que foi pelo elogio que uma amiga fez ao autor. Da pilha de livros que tenho para ler, este box eu fui evitando e passando outros livros na frente por que não estava com muita vontade de encarar uma fantasia. A votação de agosto, entretanto me pressionou a encarar este livro apesar de ainda não ter lido todos os outros que comprei na mesma época.
Depois de terminar a coleção beijada por um anjo fiquei com a certeza que não devo comprar estes livros por impulso. Só não tenho coragem de me desfazer antes de ler. Então, apesar de não estar com vontade, preferi ler de uma vez para tirar da minha vista.
Dragões de Éter claramente se trata de uma fantasia. Caçadores de Bruxas é um livro que trata de Bruxas, mas também de fadas, piratas, trolls, anões e claro: reis e príncipes.
A minha primeira grata surpresa foi entender que estes personagens já são nossos conhecidos dos contos de fadas. Temos uma Chapeuzinho Vermelho (mas não ouse chamá-la assim) e João e Maria. E também tem seus vilões e heróis.
Apesar de eu ter gostado do enredo e da narrativa logo de cara, não estava com muita paciência para encarar uma fantasia e ademais é um volume extenso. Então li lentamente.
Ariane Narin (ou a Chapeuzinho Vermelho) é uma adolescente como outra qualquer que sofre o bullying de outros adolescentes de Andreanne. Seu único amigo é João Hanson, um rapaz descontraído de raciocínio muito rápido e um jeito para os negócios. E Maria Hanson é a irmã mais velha que acompanha João e sua amiga para os compromissos. 
Mas Andreanne não é apenas a capital do reino de Arzallum, é uma cidade portuária que se orgulha do seu rei e herói Primo Branford que iniciou a Caçada das Bruxas. 
Mas toda essa caçada não evitou que Maria e João tenho sofrido pelas maldades de uma bruxa, em uma casa de doces há alguns anos atrás. 
O importante é que agora foi inaugurado o grande teatro de Majestade onde é apresentado o espetáculo Caçada das Bruxas que conta a história de Primo e a Fada Terra.
Até que um ataque dos piratas de Jamil Coração-de-Crocodilo deixa a cidade sitiada e a população em alerta. Ninguém sabe exatamente quais as intenções deste bando e onde estão escondidos. Eles invadiram a cidade, mas não foram embora nem tomaram o castelo.
A narração é feita por um bardo que tudo observa para poder contar a sua história. Os capítulos são alternados entre os núcleos de personagens que só se encontram no fim. É incrível como apesar da alternância de capítulos, não temos muitos avanços no tempo entre uma passagem e outra. 
Creio que ainda tenha alguns mistérios com os personagens deste volume. Principalmente a família real de quem é bastante contado, mas não cai nas contas do bardo como seus conhecidos. 
Apesar de ter os outros volumes, o que significa claramente que o que eu li ainda não é o fim da história, este volume narra uma história completa.
Como não estou muito para a leitura de fantasias, vou ler outras coisas antes de retomar a série mas não pretendo deixar passar muito tempo antes de terminar. 
Para mim é difícil comentar sobre o livro, apesar de ter gostado, por que eu não estava disposta e empolgada para o que eu encontrei. Não pretendo manter a coleção para ler novamente.
Este livro estava na votação de setembro. Vou dar uma parada nas votações e talvez volte no ano que vem.
Estou priorizando terminar outras coleções mas pretendo terminar esta ainda este ano. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Diário de Leitura - O Morro dos Ventos Uivantes

Provavelmente escolhi ler este livro pelos motivos errados. Foi o escolhido para o mês de agosto, que imaginei ser uma leitura rápida e me arrastou o mês todo quase passando para setembro. Por ter sido citado em Crepúsculo, fez parte de muitas listas de leitura, mas eu só vislumbrei ler porque pensava ter um pouco de Jane Eyre por ser um romance do mesmo período.
Comecei a ler no dia 5 de agosto e fiquei surpresa ao descobrir na introdução que se tratava de um romance gótico com muitos palavrões omitidos. A obra é narrada para Lockwood ou por Lockwood que veio morar na propriedade vizinha à do Morro dos Ventos Uivantes. Mas os personagens do núcleo principal: Heathcliff, Linton e Earnshaw são muito agressivos. Principalmente Heathcliff. Talvez por isso tenha sido tão difícil avançara na leitura. Permaneci lendo perto de 10 páginas por dia em alguns dias até dia 22 de agosto, quando então resolvi pegar para terminar apesar de toda dificuldade em me sentir envolvida com a trama.
Heathcliff leva uma vida reclusa no Morro dos Ventos Uivantes. Possui um núcleo familiar desestruturado e aparentemente convive com um fantasma. Ao ter contato com este fantasma, sem entender o que acontece naquela casa, Lockwood pede para Ellen, antiga funcionária dos donos da casa que faz parte da equipe que atende a propriedade em que está ocupando conte a história do que se passou com aquela casa, quem é Heathcliff.
Ellen foi criada junto com as crianças Earnshaw e estava presente quando trouxeram o jovem Heathcliff. Após a morte do chefe da família, Heathcliff é colocado de lado pelos estranhos sentimentos que desperta de ciúmes, inveja, desprezo...
As relações se constroem por trás de muito ódio, rancor e amargura. Os sentimentos são sempre muito aparentes apesar de serem terríveis. E Lockwood fica fascinado pela narrativa. Acompanhamos o fim da infância e a adolescência de Heathcliff, as fugas dele e de Catherine Earnshaw até que esta prefere se casar com Edgar Linton e partir para a Granja dos Tordos. Mas Catherine, a seu modo grosseiro, ama Heathcliff e Heathcliff, apesar de nada romântico, corresponde. As barreiras são enormes para estas duas criaturas errantes.
Bom, desta confusão nascem duas crianças, uma nova Catherine Linton e Linton. Mas os pais são inimigos e não se aceitam. 18 anos depois ainda não está nada resolvido. E entre muito ódio, as famílias se aproximam novamente.
A narração de Ellen para Lockwood é parcial já que esta é testemunha de tudo o que acontece. Ellen é uma das personagens que tenta se manter íntegra apesar de todo o ódio que Heathcliff espalha ao seu redor.
Não vejo como contar muito sem acabar contando toda a história. Apesar de ter sido muito difícil levar esta leitura adiante e de não estar preparada para o que eu encontrei, gostei bastante desta obra e avaliei com 4 estrelas. Quero reler algumas referências e acredito que ainda vou chegar a ler o original em inglês.
Tentei terminar de ler junto a outras tantas leituras que estavam empacadas no último fim de semana de agosto. Felizmente consegui terminar na segunda 29 de agosto.
Em breve pretendo começar a leitura de setembro que não será fácil e colocar a escolha de outubro. Estava me cobrando o atraso das leituras escolhidas mas em breve devo normalizar.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Diário de Leitura - Jogando por Pizza

Talvez por conta da capa, escolhi este volume de Grisham alguns anos atrás que ficou parado na minha estante. Neste pique que estou para ler esses livros que estão há muito tempo na minha lista e leitura, chegou a vez deste na votação que disponibilizo no blog.
Apenas explicando, a capa tem uma imagem em aquarelado personagem chegando de camisa havaiana, com uma mala, pelas ruas de Parma. Na contracapa, também uma imagem em aquarela do time durante uma partida de futebol americano.
Os livros do Grisham são muito adaptados no mundo jurídico, por isso acabava adiando este tipo de leitura. Mas com este título, jogando por pizza, não poderia se tratar de uma trama de advogados.
Tenho tentado levar bem a sério estas leituras, então apesar de não ter começado logo no dia 1, peguei para ler dia 3 e avancei quase dois capítulos. É a história de um jogador de futebol americano que já esteve em 10 times nos últimos 6 anos, sofreu uma grave concussão e levou seu time à uma derrota. Creditar a culpa ao Rick Dockery é um completo exagero já que ele é o terceiro reserva. Mas a posição de quaterback costuma ser muito valorizada. Apesar de algumas vezes parecer perdido, Rick não é um completo babaca, mas é alguém sozinho.
O empresário de Dockery não quer perder dinheiro e realmente acredita na recolocação de seu jogador em algum outro time e está disposto a considerar equipes da segunda divisão; o que soa como um completo insulto. Então aparece uma oportunidade para jogar na Itália. Não é um campeonato muito disputado, não dá pra ser chamado de profissional, mas é uma oportunidade de se afastar da mídia que vende Dockery como um grande fiasco e o maior mico do ano nos esportes.
Meio a contragosto, Rick reluta mas aceita e parte para uma vida totalmente diferente em Parma.
Tentei ler um pouco antes de dormir, mas este não tem sido um horário produtivo e acabei avançando poucas páginas. No dia 08 precisei levar um livro nos correios e aproveitei para avançar algumas páginas e no fim de semana de 09 e 10 de julho, terminei apesar das interrupções. A grande dificuldade tem sido a falta de ritmo para leitura durante esta mudança de rotina. Achei que me acostumaria rápido, mas ainda não deu certo.
Existe uma regra de que só podem ter 3 jogadores americanos nos times da Itália, e por conta da barreira da língua, Rick se aproxima dos outros dois jogadores americanos (que são negros e nunca passam despercebidos na Itália) e os poucos italianos do time que falam bem inglês (com muito sotaque). Logo no começo, Rick precisa se acostumar a ser a esperança do time e também o exemplo. Apesar de ser tudo futebol americano, ser um jogador em tempo integral e ter uma profissão mais também treinar num time é muito diferente. E Rick começa a se sentir sozinho. Toda a dinâmica de assinar contrato por uma temporada, as constantes viagens para jogar e depois o rompimento de contrato e troca de equipe fazem com que Rick não faça amizades duradouras nem se veja em um relacionamento. Nunca se sente em casa seja lá onde mora e não se envolve em nenhuma outra atividade além de treinar.
Mas isso foi antes de morar em Parma, antes de assistir uma ópera e antes de treinar com os Panthers de Parma.
Eu gostei do livro, sem perceber já estava recomendando. Ainda não estou certa se vou colocar para troca, mas gostei da leitura e pretendo ler outros livros do autor. Não vou fazer um projeto de leitura porque ainda não acabei com os de Sidney Sheldon, mas este é um potencial substituto para quando eu acabar.
Já tem uma nova lista de opções em votação mas prefiro esperar dia 01 de agosto para começar a ler. Por enquanto ainda estou tentando terminar a leitura de março que está atrasada. Que julho seja o mês do destralhamento e eu consiga destralhar as leituras empacadas.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Beijada por um Anjo

Eu precisei vir escrever sobre esta série. Foi muito contraditória a leitura. E eu cometi todos os erros que eu evito incorrer. Já me perguntaram e eu não sei o que vou fazer com os livros. Não vou jogar no lixo e nem doar, mas gostaria de conseguir trocar ou vender a preço de custo.
Eu conhecia a opinião de algumas pessoas que leram e eu sabia que era adolescente, mas o enredo pareceu interessante além de ter encontrado os volumes em promoção. Paguei 10 reais em cada um deles.
Mas apesar de ter sido barato, quando li o primeiro volume tive a sensação que não deveria ter gasto o meu tempo com isso.
Se não quer saber sobre a série, avance direto para o final da resenha.
No primeiro volume "Beijada por um Anjo" a descrição de Ivy é uma menina que tem a particularidade de acreditar em anjos.
E Tristan, que é o campeão de natação da escola se apaixona por Ivy. Demora um pouco para Tristan conseguir conquistar Ivy, mas em seguida os dois não se desgrudam. Uma característica peculiar é que o que fortaleceu Ivy confiar em Tristan foi a amizade que este desenvolveu com o irmão de Ivy, Phillip. Mas já era de se imaginar que esta não é uma história de final feliz para o casal já que ainda têm tantos volumes. Ocorre um acidente de carro e um deles não sobrevive.
Nos três primeiros volumes, tudo acontece num intervalo de menos de um ano. Além das mudanças que já vinham ocorrendo na vida destes adolescentes, agora ainda tem o buraco da ausência da pessoa amada. E junto com toda a tristeza e vazio ainda vêm os pesadelos.
No segundo volume, Tristan acorda na forma de um anjo e não entende o motivo. Após conhecer outro anjo entende que deve descobrir a sua missão e que Ivy pode estar em perigo. Até o final do segundo volume, não achei que Tristan havia entendido certo e estava tentando imaginar outra explicação para a missão. Confesso que precisei ler o final do terceiro volume para acalmar a ansiedade.
Logo no início do terceiro volume, o assassino de Tristan e responsável por outros tantos crimes é identificado. Continua todo um jogo de caça para tentar, com a ajuda dos anjos a proteger os queridos. E nessa busca, Ivy encontra um novo amor.
A história poderia ter acabado por aqui. Eu já não gostei do segundo e do terceiro volumes, mas já que a autora resolveu continuar, fui até o fim.
Após a morte de Gregory, Ivy vai com Beth e Will trabalhar numa pousada durante as férias de verão antes que se inicie o período letivo da faculdade. Logo nos primeiros dias, as outras estudantes que estão trabalhando na pousada e que são bem festeiras se colocam em confusão e, ao tentar ajudar, Ivy e Beth sofrem um acidente. Apesar de inesperado, Ivy sobrevive e conhece um rapaz que perdeu a memória e deu entrada no hospital no mesmo dia que Ivy.
De alguma forma, a coincidência não é apenas no acidente que sofreram no mesmo dia, e até que se descubra quem é o João, Ivy tem a sensação que está reencontrando Tristan.
Com estes novos personagens existe novamente um assassino à espreita. Quem é a principal vítima e porquê as meninas não sabem. Entre festas, farras e muito trabalho, Ivy investiga quem pode ser o assassino enquanto foge da ameaça de Gregory. Assim como Tristan voltou como anjo, Gregory está tentando voltar para cumprir sua vingança.

Analisando apenas o enredo, não tem nada que me irritou. A leitura é fácil, os personagens são interessantes, a história é bem contada. Com poucos personagens conhecemos muito da vida deles pelas investigações. Talvez me pareça que eu não li num bom momento. É difícil explicar. A mensagem que eu recebia durante a leitura era que eu deveria me desfazer desta coleção e de que eu não precisava ter lido. Eu poderia ter deixado de lado para tentar encarar em outro momento torcendo para ter outra reação, mas não consegui deixar pra lá. Preferi terminar de uma vez e me ver livre deste compromisso com esta série.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Diário de Leitura - A Metamorfose

Sem saber do que se tratava o livro não me achei capaz de ler Kafka. Estava na minha lista de leitura mas eu não estava com nem um pouco de pressa. Recentemente descobri que era uma história curta. Então resolvi encarar e ler. Deixei na caixa de votação para junho na expectativa de atender algum dos livros que está na lista de espera. Caso não tivesse sido escolhido ficaria para algum outro momento de 2016.
Apesar do receio por ter deixado atrasada a leitura de março, preferi ler este de uma vez para não atrasar mais nada. Pensei em pegar para ler ainda em maio, mas não achava o livro. Comecei de fato no dia primeiro de junho.
Logo nas primeiras linhas percebi a minha covardia injustificada. Gregor está com dificuldade em acordar e ir ao trabalho. Aparentemente acordou no corpo de uma barata. O primeiro dilema passar a ser se levantar da cama. Já tentou imobilizar uma barata? Vire ela de costas para o chão. Apesar das tentativas dos pais e da irmã em se comunicar, a voz esquisita que sai de sua boca parece não querer dizer nada para eles. Então chega o chefe para tirar satisfação sobre o grande atraso.  Ainda pensando que não iria dar conta, optei por ir mais devagar.
No dia 02 li mais algumas páginas desta história e comecei a ganhar confiança. Não surge nenhuma justificativa para  a metamorfose, mas o tempo vai passando e Gregor continua sendo uma barata. Para o jovem que sustentava a família como caixeiro viajante é uma mudança muito drástica ficar restrito a uma vida familiar, preso em seu quarto sem qualquer contato com as pessoas. Sua irmã entra no quarto apenas para limpar e levar comida, mas não gosta sequer de ter o irmão no campo de visão. A maior preocupação de Gregor é o que pode faltar à família por conta desta mudança. Seu principal sonho que agora está abandonado é enviar a irmã para estudar em um conservatório.
Voltei a ler no dia 04 e neste dia terminei. A parte positiva desta metamorfose é que a família se pôs a trabalhar ao invés de viverem de sonhos: o pai passou a trabalhar como segurança no banco, a mãe começou a bordar para fora, a irmã arrumou um emprego de vendedora e a criada foi dispensada. Todos passaram a entender a preocupação no provimento da casa. Um dos quartos foi alugado e aos poucos a família tinha uma renda adequada embora fosse melhor mudar para um lugar menor. Mas como levar aquele morador misterioso e vergonhoso para outro imóvel.
No fim, meio que tudo continua girando em torno de Gregor. Antes todos podiam escolher o que fazer da vida por que eles tinham o Gregor para trabalhar. Depois todos têm que assumir a responsabilidade pela própria vida por que precisam ocultar Gregor da sociedade. Penso que todos são muito egoístas.
Terminei de ler e ainda fiquei bem uns três dias tentando entender o que Kafka quis dizer. Por que não deve ser só um sonho que resolveu escrever, deve ter algo mais. Mas ainda não sei bem dizer o que é. Ou talvez tudo o que queria é esta reflexão que agora faço.
Esta foi a minha leitura do mês de junho votada entre as opções que deixei na caixa de votação. Já estou com as opções do mês de julho. Vote qual das quatro quer ver uma resenha aqui. Desta vez estou repetindo duas opções que estavam na votação de março que eu ainda não li.

domingo, 15 de maio de 2016

Diário de Leitura - Roque Santeiro

O meu atraso nas leituras mais votadas por mês já estava me irritando. Já que não estou conseguindo ler "A História da Vida Privada" com prazo para terminar, resolvi pegar para ler a leitura de maio antes que o mês termine. E em 11 de maio folheei o livro, li o prefácio, a biografia dos autores e comecei a ler o primeiro capítulo. O livro é uma edição de bolso, tem fotos e é fino; então acredito terminar em pouco tempo de leitura.
Apesar de eu ter escolhido esta leitura para iniciar a coleção de novelas, fiquei com a sensação que escolhi errado. Entre a primeira versão da novela a ser gravada e a segunda versão que de fato foi exibida e era a minha lembrança remota se passaram 10 anos. Cronologicamente falando, a novela que é mais antiga neste caso, pelas minhas lembranças, seria "O Bem Amado" que eu também tenho e não li.
Mas não adianta remoer este tipo de coisa agora. No dia seguinte consegui ler mais 4 capítulos, contando quem foi o Roque Santeiro, apresentando os personagens. A pequena Asa Branca está dividida com a chegada de dois eventos num mesmo dia: a inauguração da estátua do santo que pretende trazer mais turistas para a região, e a inauguração de uma boate com shows de striptease. Mas Asa Branca tem muito mais particularidades que se possa imaginar. Parece que tem um professor que também é um lobisomem. E o beato Roque Santeiro deixou para trás uma viúva. Também tem um prefeito que também é um barbeiro. E uma loja de lembranças do Santo...
Eu fico com vontade de assistir novamente a novela. Creio que muita coisa acabou sobrando e não está presente neste livro. Ao mesmo tempo sinto que o contexto desta história passou e só quem conhece e viveu na época de exibição consegue se envolver com esta história.
Então entre os dias 13 e 14 de maio avancei capítulo a capítulo conhecendo um pouco mais das coisas extraordinárias que só acontecem em Asa Branca, uma cidade que vive de um mito.
Não me sobra dúvidas de quem manda na cidade é Sinhozinho Malta. Apesar das ambições políticas do prefeito, não só este, mas também o delegado e o padre "obedecem" Sinhozinho. Assim como a primeira dama é Porcina, sendo ela viúva ou não.
Essa novela é de uma época em que os valores éticos não eram tão arraigados. Ela não é politicamente correta e nem faz sátira da condição geral de promiscuidade. Apesar do grupo de beatas condenar a abertura da boate, a grande maioria dos cidadãos se envolve em casos extraconjugais e não vê problemas nisso.
A equipe de filmagem que chega a Asa Branca para filmar a história do beato Roque Santeiro acaba por fazer de lá seu estúdio para outras produções, como por exemplo a dessa novela.
É curioso entender o papel das novelas na sociedade brasileira. Confesso que eu não entendo quase nada. Mas a forma como uma peça de teatro, se transforma num enredo maior que poderia ser um filme, que é muito cara a produção, mas se estende em uma novela com cento e tantos capítulos e tem seu enredo sendo atualizado, alterado e adaptado ao longo da exibição de acordo com as preferências do público telespectador, surpreende que consiga ser reproduzida em forma de livro. Quer dizer, o final muitas vezes é alterado da proposta inicial ou até mesmo fica em aberto. E a mensagem geral que é passada pode não ser mensagem nenhuma, apenas mera distração. Não tem um verdadeiro significado de fim como normalmente se espera dum livro.
Bom, recomendo a leitura. Este livro votado para ser lido em maio eu também consegui concluir. Vamos aguardar o fim da votação para junho e talvez eu consiga retomar e concluir a leitura de março, mas está difícil.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Marianas

Antes de tudo um alerta: recebi este livro como cortesia do autor. Entretanto, esta resenha representa a minha opinião após a leitura como todas as outras que publiquei.
Minha primeira impressão, que me deixou bastante curiosa, foi não haver numeração impressa nas páginas. O livro não é muito grosso, mas uma das primeiras coisas que procurei e não achei de primeira foi a quantidade de páginas.
Infelizmente chegou num período muito difícil que quase não consegui ler. A pilha de leitura estava tão grande que tive que devolver tudo para a estante novamente.
Felizmente, insistindo bastante, não honrei muitos compromissos comigo mesma, mas terminei algumas das leituras empacadas e resolvi pegar este para ler.
Não foi uma leitura difícil, mas como foi uma cortesia do autor, tenho a necessidade de fazer uma leitura um pouco mais cuidadosa e criteriosa ao invés de lidar como mero passatempo.
Curioso que eu tenho visto bastante anúncio de experiência de pessoas, infelizmente muitas meninas, que estão adquirindo e usando caudas de sereia. É meio esquisito, mas também é curioso pensar o tanto que está na moda no momento que este livro me chegou às mãos. Claro que só estava faltando uma saga de sereias. Elas vivem no universo da imaginação, principalmente das crianças, e pouco foram exploradas até então.
Mas voltando para esta história, existe um viés científico na busca dos pesquisadores junto ao viés fantástico do enredo. O encontro destes seres é peculiar. Confesso que não esperava que conseguissem se comunicar como se falassem a mesma língua.
Jeremy é um pesquisador e mergulhador que quer desbravar o fundo do mar. Seu objetivo é confirmar cientificamente a existência de sereias. E numa de suas explorações em águas muito profundas é resgatado por Lícia por quem se apaixona. Lícia, apesar de ser uma das líderes dos ariatas, as sereias azuis, sempre sonhou encontrar um humano. Os ariatas são seres pacifistas, moldados pelo respeito ao próximo, a vida em comunidade e as pequenas alegrias da vida. Mas a chegada de Jeremy desperta uma verdadeira guerra entre os povos do mar.
Eu mudei de opinião várias vezes e tive dificuldade em descobrir o que eu mais senti falta. Por que eu fiquei o tempo todo com a sensação de "Será que a História é Só Isso?" Por outro lado, o tanto que me irrita quando parece que várias páginas poderiam excluídas de uma história porque nada acrescentam, eu não encontrei. E talvez seja isso que tenha me feito falta, as explicações e descrições que marcam as passagens do tempo e a evolução dos personagens.
As descrições das batalhas foram um tanto massantes, mas sei que elas têm seu público. Mas o ritmo geral é bastante intenso.
Não cabe contar mais sobre a história, mas durante a guerra acontece uma linda história de amor de seres muito diferentes.
Eu li e gosto bastante dos livros biográficos de aventureiros como os do Amyr Klink, também li "A Incrível Viagem de Shackleton" e imagino como deve ser passar dias e dias no mar. É muito cômodo tratar como alucinação as visões de seres marinhos que parecem sereias assim como também acontecem nos desertos e em outros ambientes inóspitos. Estou muito longe de acreditar em seres mitológicos, mas sei bem que a maioria dos mitos é um exagero e não uma completa mentira. O que eu quis dizer é que vamos ver ainda muitas destas histórias já que a exploração marinha ainda é considerada uma aventura e os oceanos são imensos.
O estilo de escrita é bastante agradável. E experiência do autor como jornalista facilita muito a organização do enredo e o desenvolvimento da história.
Em retribuição ao autor que gentilmente me enviou este exemplar, vou disponibilizá-lo para empréstimo para vocês, leitores. A proposta é fazer uma viagem com este exemplar que irá passear pela casa de vocês e depois volta para mim. 

domingo, 24 de abril de 2016

Diário de Leitura - Diários do Vampiro: a Fúria

Este livro foi o mais votado para o mês de abril e já que eu estava atrasada com o de março, resolvi começar logo o de abril.
Já faz alguns anos que eu li os primeiros volumes e nunca cheguei a assistir a série, então estava bastante preocupada de me sentir perdida nesta leitura. Este livro eu tive n motivos para já ter lido mas sempre permanecia na espera. Mesmo depois de sorteado, abri e folheei duas vezes com a intenção de ler antes de conseguir iniciar. Uma coisa que me deixava angustiada era a possibilidade de não lembrar da história, mas conforme fui lendo os primeiros capítulos a história dos volumes anteriores foi voltando. Ao menos um pouco.
Como a proposta era ler em abril e o livro é curto (ou fino) comecei a ler em 11/04 antes mesmo de começar a escolha de março. Se você não quer spoiler dos outros livros, pare de ler agora.
No primeiro capítulo, Elena parece estar num sonho, os acontecimentos estão turvos ou confusos. Já no segundo capítulo está claro que Elena foi transformada, odeia Stefan e só tem olhos para Damon e sangue.
Tive dificuldades para priorizar esta leitura. Apenas em 18/04 consegui ler mais um pouco além dos 3 primeiros capítulos e praticamente cheguei na metade. Como dei uma parada na leitura de "Irmãos Karamázov" tentei avançar nesta leitura em poucos dias. Neste ponto, Elena tem um pouco mais de consciência de sua vida anterior à transformação e volta a ter olhos para Stefan. Elena está preocupada com sua família e amigos mas tem muito pouco que possa fazer.
Li um tanto bom no dia 19/04, mas está muito difícil uma folguinha para ler. Avancei pouco mais de 30 paginas, em que Elena está se acostumando com seu estado transformado e começa a se reconciliar com a pessoa que era e com os seus conhecidos que precisa se "despedir". Mas cada vez mais Fell's Church sofre com ataques de um Outro Poder que estes vampiros precisam descobrir o  que é. Elena forma uma equipe para tentar desvendar o grande Mal que está em Fell's Church que Elena chama de Outro Poder. E coisas ruins estão acontecendo. Muitas pessoas estão esquisitas e estão por trás de uma investigação para fazer justiça com as próprias mãos mesmo sem saber exatamente o que aconteceu.
Para atender outro item da lista de tarefas, aproveitei no dia 20 para concluir a leitura desta obra, embora tivesse passado pouco da metade. E felizmente avancei bem, e concluí de noite. Não pretendo contar muito mas percebo que Elena se entendeu com seus amigos, refez alianças e se despediu do lugar em que era a sua casa.
Uma coisa que eu pretendia fazer e agora não sei como vai ser é avançar na leitura dos outros volumes para terminar esta série, mas são tantas séries que estou lendo que acho que não vou conseguir terminar em 2016.
Eu tentei fazer em formato de diário, mas como é uma história curta, achei que funcionou melhor pelos poucos dias de leitura para resumir, também estou fazendo para "História da Vida Privada" mas já está bastante extenso. Não sei se esse formato vai dar certo.
Já fechou a votação da escolha de maio e pretendo atualizar no painel ao lado. Infelizmente a leitura de março vai ficar para maio. Vou tentar não atrasar mais nenhum já que todos que eu listo já fazem parte da minha lista de prioridade de leitura para diferentes metas.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Tess of the D'Urbervilles

Este livro foi uma verdadeira provação. Tentei desistir várias vezes e voltei para o início outras tantas. Parei e retomei algumas vezes e em cada uma delas e em cada uma delas voltei várias páginas. Até sofri bullying por estar tentando ler em inglês. Mas posso dizer que não só sobrevivi como já estou planejando o próximo desafio.
A sinopse e as tantas resenhas que eu li contam os infortúnios que Tess passou, mas apesar de ela ser uma heroína como tantas outras mocinhas dos romances, ela não tem o seu mocinho como é esperado.
No começo imaginei que apesar de Alec ser o agente dos infortúnios, o amor por Tess era verdadeiro e ele iria se redimir. Em determinado ponto, acreditei que o perdão de Tess estava abrindo a possibilidade para uma relação verdadeira de amizade.
Mas Tess não acredita em sua redenção e acredita que seu pecado a condena. Tenta começar uma nova vida trabalhando numa fazenda onde faz algumas amizades, mas continua se sentindo diferente. E esse esforço por retomar a sua vida e continuar lutando é a principal característica de Tess, uma mulher trabalhadora.
Eis que Tess se apaixona pelo jovem Angel Clare, que é filho de pastor e se prepara para seguir os passos do pai. E Angel pede Tess em casamento. Depois de muito drama e "mimimi", Tess aceita e depois de vários desencontros, acaba contando seu passado ao marido logo após o casamento. Mas Angel não consegue conviver com a verdade e abandona Tess.
Não posso continuar contando a história, mas este ato de abandono também desconstruiu a meu ver a imagem de mocinho de Angel. E Tess continua amando-o, diferentemente de Alec, e vai em busca de sua redenção novamente. Esta determinação de Tess novamente a difere da maioria das meninas de sua época.
Eu não diria que essa é uma história de pecados como muitas vezes é classificada, mas uma história sobre perdão.
Os pais de Tess são como crianças inocentes, têm vários filhos, são pobres, mas não conseguem transplantar os bons valores para os filhos. Não são maus em índole, mas estão muito longe de conseguirem ser bons exemplos para os filhos.
Enfim, depois de toda esta jornada, eu esperava que Tess encontrasse a felicidade e a paz que sempre mereceu, mas a forma com que obteve esta conquista foi bastante peculiar. Não sei se gosto ou não.
Fiquei com várias sensações a respeito. Não consigo imaginar os desassossegos da personagem e não sei o que pensar da escolha do autor. Conheço muito pouco dele para tirar as minhas conclusões. Gostaria de conhecer um pouco mais.
Terminei um dos romances que mais me foram caros, atingi uma meta da minha lista e não sei quando haverá chance para uma próxima. Também representou uma das muitas leituras que estavam travadas e eu consegui terminar neste mês de março. Ainda tenho mais algumas leituras travadas e pensei que o término desta leitura me fizesse ficar sem vontade de ler. Por enquanto ainda está tudo bem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Capitães de Areia

Apesar de "Capitães de Areia" ser um livro bastante conhecido e muito lido, eu ainda não havia tido coragem de encarar nada de Jorge Amado. Eu lembro de ouvir alguém falando que "Jorge Amado nem era tudo isso, a emissora de televisão que gosta muito dele e fica promovendo como se fosse bom. Até para a Academia Brasileira de Letras o cara entrou por influência dela."
Filtrando o comentário, eu havia tentado ler Capitães de Areia em 2010 mas não consegui. Por algum motivo, o começo era muito diferente do que eu estava preparada para encarar e acabei deixando de lado.
Ultimamente, venho tentado fazer uma limpa nos livros e arquivos que tenho em casa e acabei pegando este para ler. Nem lembrava porque eu havia abandonado, mas foi bom, porque foi uma experiência completamente nova.
Capitães de Areia é a história de meninos abandonados, moradores das ruas que foram se unindo pelas ruas e passaram a atuar juntos, chegando em mais de cem no bando. Como meninos de rua, aplicam golpes e realizam furtos, a maioria pequenos, em Salvador. Existe todo um conflito de classes, uma realidade totalmente atual na maioria dos locais em que alguns estão procurando a fonte do problema e outros querem deixar tudo como está. 
Aparentemente, mudar de vida, ninguém quer. Não importa que as crianças tenham sido largadas, não importa que você não consiga consertar a vida de todas estas crianças, o problema não é da Polícia, o problema não é do reformatório, o problema não é a falta de assistência e o problema não é da Justiça. É tudo um grande processo de negação.
Aos poucos vamos nos apegando àquelas crianças e queremos poder entrar na história para salvar elas, mas não acredito que iria funcionar. As próprias crianças têm dificuldade de aceitar a possibilidade de mudança de vida. É tudo parte de um código de conduta entre os que são do bando e os que não são.
A narrativa não é rigorosamente cronológica, é mais um apanhado de pequenos contos com algumas passagens sobre a vida de alguns destes meninos. Claro que não dá para falar de todos.
Embora tenha algumas passagens mais realistas, por serem crianças e adolescentes entre seus 10 e 15 anos na maioria, teria sido muito proveitoso ler por volta desta idade. Claro que é muito diferente e talvez não dê para se colocar no lugar dos personagens, mas é uma forma de entender um pouco como funcionam.
Eu gostei muito da experiência, pretendo conhecer outras obras do autor e também reforço a importância de que este tipo de obra faça parte das leituras obrigatórias de vestibular.
Ainda estou com uma grande lista de leitura, não terei como resenhar todos, mas aos poucos a lista vêm diminuindo. Se quiserem sugerir alguma coisa...