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quarta-feira, 10 de maio de 2023

Morte na Praia

 Não lembro se eu já contei aqui sobre a minha experiência de ler todos os livros da Agatha Christie. Demorei muitos anos, mas finalmente terminei em 2018. É claro que a lista completa das obras publicadas é um pouco controversa. Alguns contos foram reunidos em diferentes coletâneas, algumas edições não foram publicadas no Brasil, ou não possuem edição em português e algumas obras foram publicadas sob pseudônimo. Mas na medida do possível, li tudo o que estava disponível, foram mais de 80 edições.

Mas em 2020 eu recebi como brinde no clube O Prazer de Ler uma edição de bolso de Morte na Praia. Era um brinde que eles ofereceram no fim do ano, acho que com a 5 edição do clube.

Morte na Praia não é um dos livros mais famosos da autora, mas ele é muito simbólico no contexto das obras da autora. Poirot está de férias em um hotel, uma espécie de Resort, na Inglaterra. E como é período de férias de verão são muitos os grupos que se encontram nestes pontos turísticos.  É curioso como os desconhecidos se aproximam durante aquele pequeno período de tempo de convívio. Com um dia de tempo ruim todos acabam fofocando entre si. E têm relações do passado que não estão claras entre alguns personagens em que se abre para a possibilidade de que não seja uma coincidência este reencontro. 

O assassinato é de uma atriz. Os acusados podem ser o marido talvez traído, a enteada, a ex-namorada do marido, a esposa do possível amante e outras das pessoas que não está muito claro que não estão envolvida com a vítima ou qualquer dos outros acusados. Mesmo com as entrevistas que são reproduzidas, Poirot faz algumas perguntas que parecem sem sentido, e faz comentários com a equipe de investigação. Na investigação dos fatos, a agilidade é muito importante, mas parece que Poirot se importa muito mais com estas entrevistas. Tem uma questão de uma carta e a água que escorre nos encanamentos sobre se alguém tomou banho ou não.

Como em todo livro de investigação, precisa ler com calma prestando atenção aos detalhes, sabendo que algumas coisas estão lá apenas para tirar a atenção e te confundir. Se julgar necessário, faça as suas anotações para tentar acertar o assassino antes do mistério ser revelado. Mas eu gosto da forma como o próprio Poirot vai resumindo de tempos em tempos e explica todos os fatos no final. 

Uma das coisas mais maravilhosas de todos os livros da Agatha Christie é que mesmo tendo lido o livro anos atrás lembro algumas partes da história mas todo o processo de investigação me confunde a ponto de não ter certeza de quem é o assassino. 

Eu demorei para fazer esta leitura, estava com uma meta de ler uma edição por mês, mas demorei mais de um mês para ler. Juntou um pouco de cansaço nas leituras, o fato de ser uma edição de bolso e o fato de ser uma releitura.

Ainda tenho algumas leituras do clube para fazer, mas já não tenho expectativa de terminar em 2022. 

sexta-feira, 21 de abril de 2023

A Pantera das Neves

Não sei por quê vim adiando as leituras dos livros do clube do livro da L&PM. A maioria deles têm sido uma leitura rápida. A Pantera das Neves, em especial, é um livro bem curto, 160 páginas. Mas não é só isso. Por ser um livro de não-ficção, o relato do autor sobre a experiência de viajar no Tibete para encontrar a Pantera das Neves é muito parecido com um diário de viagem. Mas sem as datas.

Apesar de ser reflexivo e o autor divagar, não existe um fluxo de pensamentos, é até bem conciso. As outras resenhas que li descreveram este livro como sendo uma história de paciência. Mas é curioso pensar que alguém, especializado em fotografar animais em seu habitat natural, tenha que se embrenhar em barracas na neve com temperaturas de -30 graus, de preferência à noite (ao anoitecer, ou ao amanhecer) para procurar pelos animais de hábitos noturnos; por livre e espontânea vontade. 

A jornada para achar a pantera das neves, além de muita privação, e muito frio, horas de silêncio apenas observando, sem poder se mexer, ou mesmo acender uma fogueira também é muito rica. Para pessoas contemplativas. Porque além das aves, foi possível observar texugos, iaques, burros, lobos, raposas... Não parecia que fossem tantos os animais em circulação. 

Existe uma razão específica para a busca pela Pantera das neves, além do fato de estar ameaçada de extinção.

Durante parte do período da expedição o grupo se aloja em cavernas. Em outro momento acampam junto com pastores de iaques em locais remotos do Tibete. Na maior parte do tempo estão por conta própria, junto à natureza selvagem, tendo neve por todos os lados.

Enfim, uma leitura rápida em alguns termos. Pouco narrativa, muito mais descritiva ou reflexiva do que propriamente narrativa.

E eu esqueci que a foto deveria ser com o fone de ouvido em cima... Que nem os outros.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Nietzsche no Paraguai

 

Então mais um livro que eu recebi no clube O Prazer de Ler e duas coisas me chamaram a atenção: a capa e o fato de se passar no Paraguai. A capa é linda. Mas eu não lembro de ter lido algum romance que se passe no Paraguai.

Quando iniciei a leitura outras coisas me chamaram a atenção, o Nietzsche do título é o famoso filósofo, na verdade sua irmã que troca cartas com ele. O período em que se passa a narrativa é pouco depois da Guerra do Paraguai. E a presença dos alemães na América Latina um pouco antes das imigrações para o Brasil está relacionado a uma nova forma de colonização para a purificação da raça, isolada da presença semita.

Assunto pesado, né? Agora imagina que isso está no meio da selva, passando por trechos ocupados por tribos de índios selvagens (considerados canibais). É difícil escolher quem são os bandidos e quem são os mocinhos.

O começo é um pouco confuso, "foi extraído" de páginas de um diário de uma expedição que partiu para a selva, na Bolívia, para procurar um antigo militar, considerado criminoso. Mas a expedição vai se desfazendo aos poucos até ser encontrada por alguns dos colonos de Nova Germânia. Mas esta colônia alemã no Paraguai não tem como objetivo colonizar os índios e domesticá-los. Os moradores devem seguir algumas regras restritivas como não se alimentar com produtos de origem animal e não podem utilizar dinheiro, todas as trocas devem ser feitas no mercado local mediante trabalho realizado para a comunidade. É uma forma de escravidão. 

O fundador da colônia, o alemão Foster, casado com a irmã de Nietzsche, é um idealista, e controla sua comunidade de acordo com suas ideias. Mas ninguém conhece todas estas ideias.

Sem contar muito mais da história, o começo foi um pouco travado, mas depois avancei bem e li rápido.

Sugiro um pouco de cuidado com esta leitura, mas recomendo.

domingo, 12 de março de 2023

A Claridade Lá Fora

 Eis que durante a quarentena eu achei que deveria me arriscar a assinar um clube de leitura. A oferta mais barata que apareceu foi da editora L&PM por 39,90 mais 10,00 de frete, só lançamentos da editora e 35% de desconto em outros livros do catálogo. Como demorei muito para ler e contar, não preciso me preocupar com ser propaganda ou não porque o clube foi extinto. A editora preferiu descontinuar o serviço e encerrou a cobrança dos assinantes.


O primeiro título que recebi foi A Claridade Lá Fora, da Martha Medeiros. Não sou muito entusiasta de ler coletânea de contos ou de crônicas que é o que a Martha Medeiros geralmente publica, mas este é um romance.

Eu demorei um pouco para entender o enredo. A personagem principal é uma pessoa difícil, cheia de hábitos e que não gosta muito de conviver socialmente. Trabalha de casa com tradução de materiais em francês principalmente, mora com o marido com quem tem uma rotina bem restritiva e o único desequilíbrio é a presença eventual do neto e a presença constante da ajudante de limpeza que é uma pessoa barulhenta.

Eis que uma necessidade de tratamento de saúde obriga o casal a passar um tempo no apartamento de Porto Alegre e a viagem da filha faz com que esta senhora tenha que receber o neto para uma temporada em Porto Alegre durante o período letivo. E entre lembranças da juventude e a convivência forçada com outras pessoas, inclusive uma nova vizinha, vão mudando o jeito de ser desta senhora. 

Foi uma leitura bem rápida. A escrita da Martha Medeiros é bem estruturada e vamos compreendendo os personagens aos poucos. A autora coloca alguns pontos bem interessantes no dia a dia desta família: bullying, astrologia, maternidade solo, entre outros.

Sobre a escolha deste título para o primeiro do clube, eu estava decepcionada. Jamais escolheria este tipo de livro para ler, se visse numa livraria sequer me daria ao trabalho de ler a sinopse. Quase me arrependi da escolha. Por ser uma editora de Porto Alegre, Martha Medeiros é uma autora conhecida do público local então deve ter parecido uma escolha segura.

Do meu ponto de vista ainda cabem algumas considerações. Sendo o clube uma escolha surpresa para leitura, certamente eu fui surpreendida e não teria lido se fosse de outra forma. E como eu gostei razoavelmente, entendo que foi uma ótima opção. Mas como disse, o clube foi descontinuado, tanto faz dizer se a escolha foi acertada ou não.

Para quem não gosta muito de crônicas e está sendo um pouco preconceituoso, como eu estava sobre este livro, aviso que foi uma leitura interessante e surpreendente. E sim, eu gostei. Não chega a ser uma leitura que eu pretendo refazer daqui a algum tempo, mas me fez ficar pregada no livro do começo ao fim e li de um dia para o outro.